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Painel Pesquisas e Consultoria
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2021 — 2022 · Trabalho e renda

Santo André/SP — Um Olhar Integrado sobre os Catadores de Materiais Recicláveis

A Painel Pesquisas e Consultoria mapeou os catadores de materiais recicláveis de Santo André para o Semasa, com financiamento do CAF. Em 2021, a equipe percorreu os 15 setores de coleta seletiva, localizou 1.201 catadores e entrevistou 853. O volume único, publicado em 2022, estima 1.831 catadores no município e descreve seu perfil, seu trabalho e a venda do material.

Vista noturna do centro de Santo André, com prédios iluminados e avenidas arborizadas
Santo André · SP

853 catadores entrevistados.
15 setores de coleta seletiva.

Iniciativa
Semasa, com o Programa Sanear Santo André e a Prefeitura
Período
2021 a 2022
Setores
15 setores de coleta seletiva
Entrevistados
853 catadores, de 1.201 localizados
Estabelecimentos
103 que compram ou recebem recicláveis
Relatórios
1 volume, 88 páginas

Sobre o
diagnóstico

Um Olhar Integrado sobre os Catadores de Materiais Recicláveis de Santo André/SP traz os resultados da Pesquisa para Mapeamento dos Catadores de Material Reciclável em Santo André, idealizada pelo Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa) e contratada à Painel Pesquisas e Consultoria pelo Contrato SEMASA nº 07/21, do Pregão Presencial nº 06/21. A realização reúne a Painel, o Programa Sanear Santo André, o Semasa e a Prefeitura de Santo André, com financiamento do CAF, Banco de Desenvolvimento da América Latina.

O mapeamento anterior, de 2015, estimava 569 catadores informais no município. Desde então, o cenário sanitário, econômico e social mudou, e o número de catadores informais cresceu. A nova pesquisa quer saber quantos são os catadores e compreender, sob a perspectiva deles, a realidade social e a cadeia do resíduo reciclável, da coleta e da triagem à venda, para subsidiar políticas públicas que incorporem os catadores à gestão de resíduos sólidos.

O volume único traz a introdução sobre os resíduos sólidos, a legislação e a saúde dos catadores, o panorama de Santo André, o percurso metodológico, o perfil dos catadores, a coleta e a triagem, a comercialização e a organização do trabalho, as políticas públicas do município, cinco histórias de vida, as ações para o futuro e a conclusão. Em apêndice, a divisão do município nos 15 setores do mapeamento.

O município
de Santo André

Santo André fica no ABC Paulista, na Região Metropolitana de São Paulo, e se divide em duas macrozonas, a urbana e a de proteção ambiental. Foi a primeira cidade do ABC Paulista a implantar a coleta seletiva porta a porta, em 1997, e em 2000 o serviço já cobria todo o território, o primeiro município do Estado de São Paulo a chegar a 100%.

habitantes, população estimada
723.889
IBGE, 2021
km² de área territorial
175,8
IBGE, 2021
IDHM, faixa muito alta; 0,783 no Estado de São Paulo
0,815
Atlas Brasil, 2010
toneladas ou mais de resíduos secos coletadas por ano pelo Semasa, todas destinadas às cooperativas
11.400
Semasa, 2022
estações de coleta e 112 Postos de Entrega Voluntária (PEVs) de recicláveis
20
Semasa, 2022
cooperativas de reciclagem, a Coopcicla e a Coop Cidade Limpa, com mais de 100 pessoas
2
Semasa, 2022

Como foi
feito

O projeto começou com uma reunião de planejamento e a formação de um grupo de acompanhamento do contrato. O questionário, de 81 perguntas, foi discutido com o Semasa e validado pela Comissão de Acompanhamento, e uma pesquisa piloto ajustou o instrumento e o treinamento dos pesquisadores.

Como os catadores são uma população rara, sem cadastro completo, a pesquisa combinou duas técnicas: a lista dos catadores inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) e a amostragem em localidades. Em 2021, as equipes percorreram todos os 15 setores de coleta seletiva de resíduos secos, sobretudo nas horas que antecedem a passagem do caminhão, e mapearam ferros-velhos, sucateiros e outros pontos de compra. Foram ouvidos também os catadores de outros municípios que coletam em Santo André.

Pelo método de universo infinito, foram localizados 1.201 catadores, dos quais 853 aceitaram responder, além de 103 estabelecimentos. A análise usou estatística descritiva e testes não paramétricos, e a concentração dos catadores por setor foi classificada em quintis. Cinco catadores contaram sua história em entrevistas com roteiro semiestruturado.

Conheça o método da Painel

Os 15 setores do diagnóstico

Setores 1 a 13

12345678910111213

Município: setores 14 e 15

1415
Fonte: Volume único, Mapa 6: divisão territorial de Santo André/SP nos 15 setores de coleta seletiva.
SetorBairros e localidades
Setor 1Bangu; Camilópolis; Metalúrgica; Santa Terezinha.
Setor 2Lucinda; das Maravilhas; Oratório; Santo Antônio; Utinga.
Setor 3Curuçá; Francisco Matarazzo; Jaçatuba; das Nações.
Setor 4Ana Maria; Capuava; Itapoan; Novo Oratório; Polo Petroquímico de Capuava; Santo Alberto.
Setor 5Alzira Franco; Erasmo Assunção; Parque João Ramalho; Rina.
Setor 6Casa Branca; Centro.
Setor 7Campestre; Jardim.
Setor 8Alpina; Aquilino; Guiomar; Palmares; Santa Maria; Príncipe de Gales; Sacadura Cabral.
Setor 9Alice; Bastos; Bela Vista; Bom Pastor; Floresta; Gilda; Pinheirinho; Scarpelli; Valparaíso.
Setor 10Alzira; Assunção; Paraíso.
Setor 11Vila América; Centreville; Cidade São Jorge; Gerassi; Guarani; Helena; Homero Thon; Humaitá; Marajoara; Marek; Novo Homero Thon; Pires; Vila Progresso; Silveira; Várzea do Tamanduateí.
Setor 12Alvorada; Cristiane; Estádio; Jamaica; Junqueira; Las Vegas; Linda; Stella; Vitória.
Setor 13Cata Preta; Cipreste; Condomínio Maracanã; Vila Guaraciaba; Guarará; Ipanema; Irene; Vila João Ramalho; Lutécia; Luzita; Rica; Santa Cristina; Santo André; Santo André CDHU; Sítio dos Vianas; Suíça; Teles de Menezes; Tibiriçá.
Setor 14Miami Riviera; do Pedroso; Recreio da Borda do Campo; Três Divisas; Waisberg.
Setor 15Parque América; Araçaúva; Campo Grande; Estância Rio Grande; das Garças; Guaripocaba; Joaquim Eugênio de Lima; Paranapiacaba; Rio Bonito; Rio Grande; Parque Rio Grande; Rio Mogi; Rio Pequeno; Acampamento Anchieta; Clube de Campo; Represa Billings; Sítio dos Teco; Sítio Taquaral.

Pesquisa com os catadores, 2021

  • Questionário de 81 perguntas respondido por 853 catadores
  • Levantamento de 103 estabelecimentos que compram ou recebem recicláveis
  • Entrevistas semiestruturadas com cinco catadores, para as histórias de vida
  • Relação dos catadores inscritos no Cadastro Único (CadÚnico)
  • Visitas às duas cooperativas de reciclagem do município

Bases oficiais e do município

  • Estimativa populacional do IBGE, 2021
  • Censo Demográfico do IBGE, 2010
  • Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, 2010: IDHM
  • Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS), 2019
  • Mapeamentos anteriores dos catadores, 2006 e 2015
  • Semasa: coleta seletiva, estações de coleta, PEVs e cooperativas, 2022

Os resultados
em números

A pesquisa de 2021 localizou 1.201 catadores em Santo André e entrevistou 853. Os resultados mostram quem são, onde moram, quanto ganham, como coletam, separam e vendem o material, e como se organizam, com a concentração dos catadores em cada um dos 15 setores de coleta seletiva.

catadores estimados no município: os 1.201 localizados e mais 630 citados pelos entrevistados; 569 no mapeamento de 2015
1.831
Pesquisa com os catadores, 2021
recebem menos de 1 salário mínimo por mês com a coleta; 29,4% não informaram
52,9%
Pesquisa com os catadores, 2021
trabalham com recicláveis há 2 anos ou menos, desde a pandemia de Covid-19
32,1%
Pesquisa com os catadores, 2021
não usam nenhum equipamento de proteção; 19,6% já sofreram acidente de trabalho
73,5%
Pesquisa com os catadores, 2021
não sabem como funciona uma cooperativa; 81,2% trabalham sozinhos
83,8%
Pesquisa com os catadores, 2021
vivem em situação de rua, 81 catadores; só 19,8% deles têm atendimento de algum serviço
9,5%
Pesquisa com os catadores, 2021

Os resultados
por tema

Quem são os catadores

Dos 853 entrevistados, 74,4% são homens e 23,3% mulheres. 52,6% se declaram pretos ou pardos e 43,5% brancos. 171, ou 20%, têm 60 anos ou mais, e a pesquisa encontrou 8 adolescentes de 12 a 17 anos e 3 indígenas. 47,5% nasceram em Santo André; entre os demais, 53,1% vêm de outras cidades paulistas e 12,3% da Bahia.

dos catadores são homens; 23,3%, mulheres
74,4%
Pesquisa com os catadores, 2021
se declaram pretos ou pardos; 43,5%, brancos
52,6%
Pesquisa com os catadores, 2021
catadores têm 60 anos ou mais, 20% dos entrevistados
171
Pesquisa com os catadores, 2021
adolescentes de 12 a 17 anos entre os entrevistados
8
Pesquisa com os catadores, 2021
nasceram em Santo André
47,5%
Pesquisa com os catadores, 2021

Onde vivem

88,7% dos entrevistados moram em Santo André, 60,8% deles há mais de 20 anos. O Setor 13, uma região periférica, reúne 28,4% dos catadores que moram no município, e os Setores 2, 11 e 13 têm concentração muito alta. Dos 96 que moram em outras cidades, 51% vêm de São Paulo, e metade diz coletar em Santo André pela qualidade e pela quantidade do material. Dos 1.483 trabalhadores contados, 1.267 moram no município, 1,7 por mil habitantes.

moram em Santo André; 60,8% deles há mais de 20 anos
88,7%
Pesquisa com os catadores, 2021
dos catadores que moram no município vivem no Setor 13
28,4%
Pesquisa com os catadores, 2021
pessoas envolvidas com a coleta por mil habitantes do município
1,7
Pesquisa com os catadores, 2021; IBGE, 2021
dos que moram fora de Santo André vivem em São Paulo
51%
Pesquisa com os catadores, 2021

Família, moradia e saneamento

81,7% dos catadores são os responsáveis pelo domicílio, e 22,5% moram sozinhos. 47,8% vivem em domicílio de um só dormitório, com 2,7 pessoas por dormitório. 81 catadores, 9,5%, vivem em situação de rua, e 37, 4,3%, em moradia improvisada. Nos domicílios, 5,2% não têm rede de esgoto, 3,5% não têm coleta de lixo, 2,4% não têm abastecimento de água e 2,4% não têm energia elétrica; segundo o relatório, salvo o esgoto, são taxas maiores que as médias do município.

vivem em domicílio de um só dormitório, com 2,7 pessoas por dormitório
47,8%
Pesquisa com os catadores, 2021
vivem em situação de rua; 4,3%, em moradia improvisada
9,5%
Pesquisa com os catadores, 2021
dos catadores em situação de rua são atendidos por algum serviço, sobretudo o Centro POP
19,8%
Pesquisa com os catadores, 2021
dos domicílios sem rede de esgoto
5,2%
Pesquisa com os catadores, 2021

Escolaridade

9,1% dos catadores não sabem ler nem escrever, e 6,1% sabem ler e escrever pelo menos um bilhete. 37,7% não concluíram o ensino fundamental: 21,1% têm o fundamental 1 incompleto e 16,6% o fundamental 2 incompleto. 10,4% têm o ensino médio completo e 6, 0,7%, o superior. Na apresentação do livro, a baixa escolaridade aparece como um dos maiores obstáculos à integração dos catadores independentes.

não sabem ler nem escrever
9,1%
Pesquisa com os catadores, 2021
não concluíram o ensino fundamental
37,7%
Pesquisa com os catadores, 2021
têm o ensino médio completo
10,4%
Pesquisa com os catadores, 2021
têm o ensino superior completo, 6 catadores
0,7%
Pesquisa com os catadores, 2021

Trabalho e renda

274 catadores, 32,1%, começaram há 2 anos ou menos, no período da pandemia de Covid-19, e 7,7% trabalham com recicláveis há mais de 20 anos. 42,4% têm outra pessoa da casa na coleta. Com a catação, 52,9% ganham menos de 1 salário mínimo, 12,4% de 1 a 2 e 5,3% mais de 2. A renda familiar per capita fica, para 31,9%, entre R$ 178,00 e meio salário mínimo, e 17 catadores vivem com até R$ 89,00 por pessoa, na extrema pobreza.

trabalham com recicláveis há 2 anos ou menos
32,1%
Pesquisa com os catadores, 2021
ganham menos de 1 salário mínimo com a coleta
52,9%
Pesquisa com os catadores, 2021
têm renda familiar per capita entre R$ 178,00 e meio salário mínimo
31,9%
Pesquisa com os catadores, 2021
moram com alguém que também trabalha com a coleta
42,4%
Pesquisa com os catadores, 2021

Benefícios e previdência

14,9% dos catadores recebem algum benefício social, 92,2% deles o Programa Bolsa Família. Entre os 17 em extrema pobreza, só 23,5% recebem o Bolsa Família. 9,5% contribuem para o INSS. Para 14,3%, a coleta complementa outra renda, sobretudo aposentadoria (36,9%), emprego formal (18,9%) e seguro-desemprego (16,4%). 12,3% já passaram pelo sistema prisional, e o relatório vê na reciclagem um espaço de recomeço para eles.

recebem algum benefício social; 92,2% deles, o Bolsa Família
14,9%
Pesquisa com os catadores, 2021
contribuem para o INSS
9,5%
Pesquisa com os catadores, 2021
dos catadores em extrema pobreza recebem o Bolsa Família
23,5%
Pesquisa com os catadores, 2021
são egressos do sistema prisional
12,3%
Pesquisa com os catadores, 2021

Coleta, triagem e saúde

96,7% dos entrevistados coletam o material eles mesmos, nas ruas, nos comércios e nas indústrias. 67,2% separam o material antes de vender e 32,0% vendem tudo sem separar. Só 26,5% usam equipamento de proteção, quase sempre luvas (89,4% deles). 167 catadores, 19,6%, já sofreram acidente de trabalho, e 80, 9,4%, adquiriram alguma doença, sobretudo de pele (51,3%) e conjuntivite (25,0%).

separam o material antes de vender
67,2%
Pesquisa com os catadores, 2021
usam equipamento de proteção; 89,4% deles, luvas
26,5%
Pesquisa com os catadores, 2021
já sofreram acidente de trabalho
19,6%
Pesquisa com os catadores, 2021
adquiriram doença no trabalho, sobretudo de pele e conjuntivite
9,4%
Pesquisa com os catadores, 2021

Venda e organização do trabalho

72,0% guardam o material em casa até a venda. Os metais, como alumínio e latas, alcançam o maior preço médio, R$ 7,15 por quilo, ante R$ 0,49 do papelão e R$ 0,24 do vidro. Os 103 estabelecimentos mapeados são 51 ferros-velhos, 31 unidades de reciclagem, 18 galpões, 2 cooperativas e 1 comércio. 81,2% dos catadores trabalham sozinhos, 16,4% em grupo informal e 2 em associação ou cooperativa.

guardam o material em casa até a venda
72,0%
Pesquisa com os catadores, 2021
preço médio do quilo dos metais, o maior; R$ 0,49 o do papelão
R$ 7,15
Pesquisa com os catadores, 2021
ferros-velhos entre os 103 estabelecimentos mapeados
51
Pesquisa com os catadores, 2021
trabalham sozinhos; 16,4%, em grupo informal
81,2%
Pesquisa com os catadores, 2021

Animais de estimação

32,1% dos catadores têm animais de estimação: 72,3% deles têm cachorros, 53,3% gatos e 1,1% cavalos. Ao todo são 323 cachorros, 312 gatos e 10 cavalos. 72,1% dos cachorros e 57,7% dos gatos são vacinados, e 34,1% dos cachorros e 51,9% dos gatos são castrados.

dos catadores têm animais de estimação
32,1%
Pesquisa com os catadores, 2021
cachorros, além de 312 gatos e 10 cavalos
323
Pesquisa com os catadores, 2021
dos cachorros são castrados; 72,1%, vacinados
34,1%
Pesquisa com os catadores, 2021

O que disseram
os catadores

Em 2021, as equipes de campo localizaram 1.201 catadores em todo o território de Santo André. 853, ou 71%, aceitaram responder ao questionário de 81 perguntas, em entrevista direta, individual e autodeclaratória, e 348, ou 29%, recusaram. Os 853 citaram outras 630 pessoas envolvidas com a coleta, o que leva a estimativa a 1.831 catadores. Foram entrevistados desde pessoas que vivem nas ruas até empreendedores que coletam em prédios.

Cinco catadores contaram sua história em entrevistas com roteiro semiestruturado, sobre a relação com o território, a catação, a comunidade e o que esperam da pesquisa: três moram em Santo André e dois em São Paulo, o perfil da amostra quantitativa.

O que a pesquisa encontrou

  1. 81,2% trabalham sozinhos. Entre eles, 57,0% dizem não gostar que outros interfiram no seu trabalho, 31,9% preferem fazer o próprio horário e 18,0% o próprio salário.

  2. 83,8% não sabem como funciona uma cooperativa ou associação, e o mesmo percentual não sabia que existem cooperativas de catadores em Santo André. Ainda assim, 18,9% gostariam de participar de uma, e 18,6% talvez.

  3. 278 catadores responderam que deixariam de trabalhar com material reciclável. Nas histórias de vida, eles relatam mais concorrência e menos material desde a pandemia, quando 32,1% dos entrevistados começaram na atividade.

  4. 36,5% fumam cigarro; 33,1% consomem álcool, e 14% o fazem todos os dias; 11,6% usam outras drogas, e 7,6% diariamente. Nas cooperativas, a diretoria aponta a drogadição e o alcoolismo como as principais causas da saída de cooperados.

  5. Todas as entrevistas criticam o descarte dos munícipes, que misturam resíduos úmidos e secos, e entre as mensagens dos catadores três se destacam: separar corretamente, valorizar o trabalho e melhorar as condições de trabalho.

Fonte: Volume único, pesquisa com os catadores de 2021 e histórias de vida.

Considerações
e recomendações

Em Santo André, a coleta e a triagem dos recicláveis são feitas sobretudo por catadores autônomos, de modo individual, e pelas duas cooperativas. Para o relatório, a insegurança e as condições precárias do trabalho autônomo limitam o aperfeiçoamento da gestão de resíduos, e a superação da vulnerabilidade passa pela organização dos catadores em cooperativas e associações, com investimento público e privado, autogestão e economia solidária.

Com o mapeamento, o município pretende levar os catadores ao mercado formal de triagem e venda, nas cooperativas, e estuda uma nova Central de Triagem. O relatório defende que as políticas só serão efetivas com o trabalho conjunto da saúde, da geração de renda, da educação, da profissionalização e da inclusão social.

O que o diagnóstico recomenda

Fonte: Volume único, Ações para o futuro e Conclusão.

Perguntas
frequentes

Quem fez o mapeamento dos catadores de Santo André?

A Painel Pesquisas e Consultoria, contratada pelo Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa) pelo Contrato SEMASA nº 07/21. A realização reúne a Painel, o Programa Sanear Santo André, o Semasa e a Prefeitura de Santo André, com financiamento do CAF, Banco de Desenvolvimento da América Latina. A pesquisa de campo foi feita em 2021, e o livro, de 88 páginas, foi publicado em junho de 2022.

Quantos catadores de materiais recicláveis há em Santo André?

A pesquisa de 2021 localizou 1.201 catadores em Santo André: 853 responderam e 348 recusaram. Os entrevistados citaram outras 630 pessoas envolvidas com a coleta, e o estudo estima 1.831 catadores atuando no município, ante 569 no mapeamento de 2015. Dos 1.483 trabalhadores contados entre entrevistados e citados, 1.267 moram em Santo André, 1,7 por mil habitantes.

Quanto ganham os catadores de Santo André?

Com a coleta de recicláveis, 52,9% dos 853 catadores entrevistados em Santo André ganham menos de 1 salário mínimo por mês, 12,4% de 1 a 2 e 5,3% mais de 2; 29,4% não informaram. A renda familiar per capita fica entre R$ 178,00 e meio salário mínimo para 31,9%. Só 14,9% recebem algum benefício social, quase todos o Bolsa Família, e 9,5% contribuem para o INSS.

Onde vivem os catadores de Santo André?

88,7% dos catadores entrevistados moram em Santo André, 60,8% deles há mais de 20 anos. O Setor 13, com Cata Preta, Cipreste, Luzita, Sítio dos Vianas e bairros vizinhos, reúne 28,4% dos que moram no município, e os Setores 2, 11 e 13 têm concentração muito alta. 9,5% vivem em situação de rua, e dos 96 que moram em outras cidades, 51% vêm de São Paulo.

O que o estudo propõe para os catadores de Santo André?

Santo André propõe formalizar o trabalho dos catadores autônomos em associações, cooperativas ou como microempreendedores individuais, criar um cadastro municipal dos catadores e garantir acesso a benefícios, ao INSS, à saúde e à segurança no trabalho. Propõe ainda elevar a escolaridade, integrar os catadores a programas como o Moeda Verde, proteger seus animais e fortalecer as campanhas de coleta seletiva, e estuda uma nova Central de Triagem.

Realização

Painel Pesquisas e ConsultoriaPrograma Sanear Santo AndréServiço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa)Prefeitura de Santo André

Financiamento

CAF, Banco de Desenvolvimento da América Latina

Um diagnóstico assim
para o seu município

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