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Painel Pesquisas e Consultoria
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2023 — 2024 · Trabalho e renda

Santo André/SP — Diagnóstico Socioeconômico dos Agricultores Urbanos

A Painel Pesquisas e Consultoria realizou o diagnóstico socioeconômico dos agricultores urbanos de Santo André, idealizado pelo Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa), com apoio da Prefeitura. De outubro a dezembro de 2023, a equipe visitou e georreferenciou 388 locais e entrevistou os responsáveis por 175 hortas urbanas ativas, que somam 309.628,62 m², e por 25 hortas escolares. O volume único foi publicado em 2024.

Vista panorâmica da parte baixa da vila de Paranapiacaba, em Santo André, cercada pela mata da Serra do Mar
Santo André · SP

388 locais visitados.
175 hortas urbanas ativas.

Iniciativa
Semasa, com apoio da Prefeitura de Santo André
Período
2023 a 2024
Locais visitados
388, todos georreferenciados
Entrevistas
175 hortas urbanas ativas e 25 hortas escolares
Área
309.628,62 m² de hortas urbanas ativas
Relatórios
1 volume, 142 páginas

Sobre o
diagnóstico

O Diagnóstico Socioeconômico dos Agricultores Urbanos de Santo André é um projeto idealizado pelo Departamento de Resíduos Sólidos (DRS) do Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa) e realizado pela Painel Pesquisas e Consultoria, com apoio da Prefeitura de Santo André. A pesquisa de campo começou em 25 de outubro e terminou em 20 de dezembro de 2023, supervisionada por uma comissão de acompanhamento e fiscalização formada por gestores e técnicos do Semasa.

Seu objetivo é compreender a dinâmica dos agricultores urbanos, também chamados hortelões, que atuam na Macrozona Urbana do município: em terrenos da Enel e da Transpetro, em áreas públicas e particulares e em escolas públicas e privadas. Além do perfil socioeconômico, do tipo e da forma de plantio e da comercialização, a pesquisa mede a área das hortas ativas, das hortas inativas e dos espaços permeáveis disponíveis, porque o projeto do Semasa quer apoiar as hortas existentes e ampliar as áreas de hortas no município.

O volume único traz os dados gerais do município, a metodologia e o mapeamento prévio das hortas, os resultados das hortas urbanas e das hortas escolares, a pesquisa qualitativa de percepção dos responsáveis, o levantamento de hidrômetros e de possíveis contaminantes, os cruzamentos pelo teste qui-quadrado, as percepções e recomendações dos pesquisadores de campo e as considerações finais. Em apêndice, as ocupações dos hortelões, os locais de compra de mudas, o que eles entendem por compostagem e o questionário.

O município
de Santo André

Santo André fica no ABC Paulista, na sub-região sudeste da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Entre os Censos de 2010 e 2022, sua população cresceu 10,72%, ou 0,83% ao ano, e a parcela de pessoas com 65 anos ou mais aumentou.

habitantes
748.919
IBGE, Censo 2022
habitantes por km², em 175,8 km² de área territorial
4.260,06
IBGE, Censo 2022
km² de área urbanizada
70,43
IBGE, 2019
IDHM, faixa muito alta: 7º entre os 645 municípios do Estado de São Paulo
0,815
Atlas Brasil, 2010
índice de Gini, ante 0,52 em 2000
0,53
Atlas Brasil, 2010
da população com 65 anos ou mais, ante 9,3% em 2010
13,5%
IBGE, Censo 2022

Como foi
feito

O diagnóstico, de caráter censitário, partiu do mapeamento prévio feito pelo Semasa: uma lista de 247 áreas, a maioria nas linhas de transmissão de energia elétrica da Enel, além de escolas municipais, estaduais e particulares, terrenos da Prefeitura e áreas permeáveis do oleoduto da Transpetro. Os pesquisadores da Painel visitaram essas áreas, classificaram cada uma conforme a situação no momento da visita e ampliaram o mapeamento a outras regiões da cidade. Todas as áreas permeáveis entraram na pesquisa, usadas como hortas ou não.

O questionário, de 78 variáveis, foi definido por técnicos do Semasa, técnicos da Painel com formação em agronomia, biologia e pesquisa e docentes da Universidade Federal do ABC (UFABC), e passou por pré-testes em seis hortas. Uma equipe de seis profissionais aplicou a pesquisa em tablet, com a latitude e a longitude de cada ponto, em cerca de dois meses de campo. O percurso pelas linhas de transmissão e pelo oleoduto foi registrado em fichas de controle e em fotografias diárias, e a base de dados foi preparada para o Sistema de Informações Geográficas do município.

Dos 388 locais visitados, 348 ficam na Macrozona Urbana e 40 na Macrozona de Proteção Ambiental. A análise considera as 175 hortas urbanas ativas e as 25 hortas escolares entrevistadas; as hortas inativas, as que recusaram a entrevista, as de uso doméstico e as áreas vazias ou impermeáveis entram na contagem e na medição das áreas. Os dados foram tratados com estatística descritiva e com o teste qui-quadrado, com p-valor de referência de 0,05.

Conheça o método da Painel

Pesquisa de campo, 2023

  • Questionário de 78 variáveis aplicado nas 175 hortas urbanas ativas e nas 25 hortas escolares
  • Georreferenciamento de 388 locais: hortas ativas e inativas, áreas permeáveis vazias e áreas impermeáveis
  • Observação dos pesquisadores: hidrômetros e possíveis contaminantes em cada local
  • Pesquisa qualitativa de percepção: sugestões, reclamações e solicitações dos responsáveis

Bases oficiais e do município

  • Mapeamento prévio das hortas urbanas pelo Semasa, outubro de 2023
  • Levantamento das hortas escolares pelo Semasa com a Secretaria de Educação de Santo André
  • IBGE, Censos Demográficos 2000, 2010 e 2022
  • Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, 2010: IDHM e índice de Gini

Os resultados
em números

Em 2023, a pesquisa visitou 388 locais de Santo André e entrevistou os responsáveis por 175 hortas urbanas ativas e 25 hortas escolares. Os resultados mostram quem são os hortelões, onde ficam as hortas, o que produzem, como cuidam do solo e da água, quanto vendem e de que apoio precisam, e medem as áreas vazias que podem receber novas hortas.

locais visitados e georreferenciados, com 175 hortas urbanas ativas e 25 hortas escolares entrevistadas
388
Mapeamento das hortas, 2023
dos responsáveis pelas hortas urbanas têm 60 anos ou mais; 78,0% são homens
63,4%
Pesquisa com os hortelões, 2023
das hortas urbanas ativas ficam em áreas da Enel, sob as linhas de transmissão
70,3%
Pesquisa com os hortelões, 2023
das hortas vendem o que produzem; 33,7% delas arrecadam até meio salário mínimo com as vendas
49,1%
Pesquisa com os hortelões, 2023
das hortas urbanas não recebem assistência financeira, técnica ou voluntária
94,9%
Pesquisa com os hortelões, 2023
áreas permeáveis vazias, com 323.131,20 m², e 58 hortas inativas, com 114.532,59 m², podem receber novas hortas
90
Mapeamento das hortas, 2023

Os resultados
por tema

Quem são os hortelões

As 175 hortas urbanas ativas têm 164 responsáveis, já que 11 cuidam de mais de uma horta. 78,0% são homens, 63,4% têm 60 anos ou mais e 61,6% são casados; 51,2% se declaram brancos, 36,6% pardos e 9,1% pretos. 29,3% têm o ensino fundamental incompleto, 22,6% o ensino médio completo, e 36,6% nasceram no Estado de São Paulo. Além da horta, 48,2% têm renda de aposentadoria, 17,1% de trabalho informal e 15,2% de trabalho formal; 14,0% não têm outra fonte de renda.

dos responsáveis têm 60 anos ou mais; 78,0% são homens
63,4%
Pesquisa com os hortelões, 2023
têm o ensino fundamental incompleto; 6,7% não sabem ler e escrever
29,3%
Pesquisa com os hortelões, 2023
têm renda de aposentadoria além da horta; 14,0% não têm outra fonte de renda
48,2%
Pesquisa com os hortelões, 2023
recebem benefícios sociais, como o Bolsa Família e o BPC
5,5%
Pesquisa com os hortelões, 2023
vão a pé até a horta; 20,7%, de carro
70,1%
Pesquisa com os hortelões, 2023

Onde ficam e como surgiram

70,3% das hortas urbanas ativas ficam em áreas da Enel, 11,4% em áreas públicas, 5,1% em terrenos particulares e 3,4% em áreas da Transpetro. 34,3% foram criadas antes de 2000 e 35,4% entre 2011 e 2020, e 21 surgiram de 2021 a 2023, período que o relatório associa ao pós-pandemia. 86,3% nasceram de iniciativa pessoal, e 83,5% dos responsáveis já tinham experiência com plantio. Na implantação, os maiores desafios foram preparar a área (79,4%), conseguir recursos (44,0%) e mão de obra (32,6%), e 23,4% das hortas já tiveram a produção interrompida.

das hortas ficam em áreas da Enel; 3,4%, em áreas da Transpetro
70,3%
Pesquisa com os hortelões, 2023
foram criadas antes de 2000; 12,0%, em 2021 ou depois
34,3%
Pesquisa com os hortelões, 2023
surgiram por iniciativa pessoal; 4,6%, por iniciativa do poder público
86,3%
Pesquisa com os hortelões, 2023
têm o mesmo hortelão há 11 anos ou mais
43,4%
Pesquisa com os hortelões, 2023
tiveram como desafio preparar e manejar a área para o plantio
79,4%
Pesquisa com os hortelões, 2023

Rotina, equipamentos e apoio

Em 93,1% das hortas trabalham com frequência de 1 a 4 pessoas, e em 54,9% ninguém é remunerado. 53,7% dos hortelões trabalham os sete dias da semana, em média 6,4 horas por dia. 94,3% usam algum equipamento de proteção, sobretudo botas e chapéus, mas só 43,0% usam proteção solar, e 68,6% não têm maquinário próprio. 94,9% das hortas não recebem assistência financeira, técnica ou voluntária.

das hortas não têm nenhuma pessoa remunerada
54,9%
Pesquisa com os hortelões, 2023
dos hortelões trabalham os sete dias da semana
53,7%
Pesquisa com os hortelões, 2023
horas de trabalho por dia na horta, em média
6,4
Pesquisa com os hortelões, 2023
usam proteção solar; 94,3% usam algum equipamento de proteção
43,0%
Pesquisa com os hortelões, 2023
não têm maquinário agrícola próprio
68,6%
Pesquisa com os hortelões, 2023

O que se planta

Ervas medicinais, aromáticas e temperos aparecem em 96,0% das hortas, verduras em 88,5%, frutas em 88,0% e legumes e grãos em 84,0%. Nas hortas que cultivam cada grupo, lideram a cebolinha (79,2%), a alface (84,7%), a couve (83,4%), a ora-pro-nóbis (72,0%), a banana (75,8%) e o chuchu (66,7%). 77,7% dos hortelões não sabem o que são plantas alimentícias não convencionais (Panc), embora os pesquisadores as vejam em quase todas as hortas, e só 16,0% as cultivam. 84,0% não têm viveiro de mudas e 77,1% compram mudas.

das hortas cultivam ervas medicinais, aromáticas e temperos
96,0%
Pesquisa com os hortelões, 2023
das hortas com verduras plantam alface; 72,0%, ora-pro-nóbis
84,7%
Pesquisa com os hortelões, 2023
das hortas com frutas plantam banana; 69,4%, limão
75,8%
Pesquisa com os hortelões, 2023
dos hortelões sabem o que são Panc; 8,6% as vendem
22,3%
Pesquisa com os hortelões, 2023
não têm viveiro de mudas; 77,1% compram mudas
84,0%
Pesquisa com os hortelões, 2023

Solo, adubação e pragas

92,6% das hortas fazem alguma prática de conservação do solo, quase sempre a adubação química e orgânica, e 93,1% adubam ou corrigem o solo, sobretudo com esterco curtido (71,8%) e compostagem seca (66,3%). 72,0% dos hortelões dizem saber o que é compostagem, mas o relatório observa que a maioria faz uma compostagem passiva, deixando os restos de cultivo sobre o solo. 97,7% relatam problemas, sobretudo pulgões (70,8%), formigas (69,6%) e lesmas e caracóis (59,6%), e 80,0% fazem algum controle, mais com calda de fumo, formicida e água com detergente. 93,7% consideram a horta orgânica, mas nenhuma tem certificação.

praticam a conservação do solo
92,6%
Pesquisa com os hortelões, 2023
das hortas que adubam usam esterco curtido; 66,3%, compostagem seca
71,8%
Pesquisa com os hortelões, 2023
relatam problemas com pragas ou doenças; 70,8% delas, pulgões
97,7%
Pesquisa com os hortelões, 2023
das hortas que controlam pragas usam calda de fumo; 31,7%, formicida
45,1%
Pesquisa com os hortelões, 2023
consideram a horta orgânica; nenhuma tem certificado
93,7%
Pesquisa com os hortelões, 2023

Clima, água e infraestrutura

52,6% das hortas tiveram a produção afetada, sobretudo por chuvas intensas (53,3% delas), altas temperaturas (34,8%) e seca (32,6%); 13,0% citam o aumento da conta de água. Das 174 hortas que usam água, 48,3% captam a da chuva e 46,6% usam a rede pública, e 64,0% das hortas pagam conta de água. A irrigação é feita sobretudo com regadores (68,0%) e mangueiras (57,1%), e 93,7% nunca analisaram a qualidade da água. 86,3% das hortas não têm sanitário e 84,6% não têm energia elétrica, que não pode ser instalada nas áreas cedidas pela Enel e pela Transpetro.

tiveram a produção afetada; 53,3% delas por chuvas intensas
52,6%
Pesquisa com os hortelões, 2023
das hortas que usam água captam a da chuva; 46,6% usam a rede pública
48,3%
Pesquisa com os hortelões, 2023
irrigam com regadores; 57,1%, com mangueiras
68,0%
Pesquisa com os hortelões, 2023
nunca analisaram a água usada na irrigação
93,7%
Pesquisa com os hortelões, 2023
não têm energia elétrica; 86,3% não têm sanitário
84,6%
Pesquisa com os hortelões, 2023

Venda e destino da produção

49,1% das hortas urbanas vendem o que produzem, 90,7% delas na própria horta e 98,8% em Santo André. Das 86 que vendem, 33,7% arrecadam até meio salário mínimo (R$ 706,00), 5,8% mais de 5 salários mínimos e 29,1% não informaram; 52,9% recebem de 1 a 10 clientes por dia, e 25,6% também revendem produtos que não cultivam. O que não é vendido é levado para casa (78,9% das hortas), doado (72,0%) ou vira composto (42,9%). Os pesquisadores notaram receio de que a venda fosse vista como irregular ou taxada pelo poder público.

das hortas vendem o que produzem; 90,7% delas na própria horta
49,1%
Pesquisa com os hortelões, 2023
das hortas que vendem arrecadam até meio salário mínimo; 5,8%, mais de 5
33,7%
Pesquisa com os hortelões, 2023
das hortas que vendem recebem de 1 a 10 clientes por dia
52,9%
Pesquisa com os hortelões, 2023
das que vendem revendem produtos que não cultivam
25,6%
Pesquisa com os hortelões, 2023
das hortas doam parte da produção; 78,9% a levam para casa
72,0%
Pesquisa com os hortelões, 2023

As hortas escolares

As 25 hortas escolares ativas somam 2.168,05 m², 88,0% em terrenos de instituições públicas. Seus 24 responsáveis são sobretudo mulheres (66,7%), de 40 a 59 anos (75,0%), e 54,2% têm pós-graduação. Em 80,0% das hortas participam 16 pessoas ou mais, nenhuma remunerada, e 28,0% foram criadas em 2021 ou depois. 44,0% tiveram a produção interrompida, 72,7% delas pela pandemia de Covid-19, e 44,0% recebem algum apoio, sempre de voluntários; três citam também recursos da Prefeitura.

hortas escolares ativas, com 2.168,05 m²
25
Pesquisa nas hortas escolares, 2023
dos responsáveis são mulheres; 54,2% têm pós-graduação
66,7%
Pesquisa nas hortas escolares, 2023
das hortas escolares têm 16 pessoas ou mais nas atividades, sem remuneração
80,0%
Pesquisa nas hortas escolares, 2023
das hortas escolares interrompidas pararam na pandemia de Covid-19
72,7%
Pesquisa nas hortas escolares, 2023
das hortas escolares usam água da rede pública
100,0%
Pesquisa nas hortas escolares, 2023

Áreas vazias e possíveis contaminantes

Além das hortas ativas, a pesquisa registrou 90 áreas permeáveis vazias, com 323.131,20 m², e 58 hortas urbanas inativas, com 114.532,59 m², que o relatório aponta como espaço para novas hortas. Os pesquisadores observaram possíveis contaminantes em 183 dos 388 locais (47,2%): em 71,1% das áreas permeáveis vazias, em 46,9% das hortas ativas e em 8,0% das hortas escolares. Os mais citados são entulhos (77,6% dos locais com contaminantes), animais domésticos (33,9%), acúmulo de lixo (18,6%) e esgoto a céu aberto (16,4%).

áreas permeáveis vazias, com 323.131,20 m²
90
Mapeamento das hortas, 2023
hortas urbanas inativas, com 114.532,59 m²
58
Mapeamento das hortas, 2023
dos locais visitados têm possíveis contaminantes; 71,1% das áreas vazias
47,2%
Mapeamento das hortas, 2023
dos locais com possíveis contaminantes têm entulhos
77,6%
Mapeamento das hortas, 2023

O que disseram
os hortelões

De 25 de outubro a 20 de dezembro de 2023, a equipe de campo visitou 388 locais e entrevistou os responsáveis por 175 hortas urbanas ativas e 25 hortas escolares, 200 entrevistas no total. As respostas vieram do próprio responsável ou de alguém próximo a ele: 164 hortelões nas hortas urbanas e 24 responsáveis nas escolares. Os responsáveis por 9 hortas ativas recusaram a entrevista, mesmo depois de duas novas visitas e de uma tentativa do Semasa.

Ao fim do questionário, uma parte qualitativa buscou as expectativas, as necessidades e as reivindicações dos responsáveis. 142 entrevistados, 71,0%, deixaram comentários: 42,0% das contribuições são solicitações, 25,5% reclamações, 14,0% informações extras e 13,0% sugestões.

O que a pesquisa encontrou

  1. Entre as reclamações, os furtos de alimentos, ferramentas e materiais são os mais citados, por 41,2% de quem reclamou, seguidos da cobrança de esgoto em hortas que não usam esgoto, com 19,6%.

  2. Nas solicitações, o pedido mais frequente é receber adubo ou substrato (46,4%), seguido de apoio técnico (41,7%) e de mudas (31,0%).

  3. Fora do questionário, a maioria das demandas ouvidas pelos pesquisadores diz respeito à água: eliminar a cobrança, reduzi-la à categoria mais baixa, como a rural, ou receber ajuda para captar e armazenar a chuva. 13,0% das hortas com a produção afetada citam o aumento da conta.

  4. Obras temporárias, em parte para a manutenção das áreas da Enel, explicam 29,3% das interrupções de produção e afetaram 22,8% das hortas com impacto na produção, e voltam em várias reclamações.

  5. 86,5% dos entrevistados aceitaram deixar o telefone para contatos do Semasa, e 78,0% querem entrar num grupo de WhatsApp sobre as hortas comunitárias; nas hortas escolares, foram 100,0% e 92,0%.

Fonte: Volume único, pesquisa qualitativa de percepção e percepções dos pesquisadores de campo, 2023.

Considerações
e recomendações

Para o relatório, os hortelões de Santo André são sobretudo homens idosos e aposentados, com experiência e dedicação: trabalham de segunda a segunda, por mais de 6 horas diárias, e cultivam uma grande variedade de alimentos. Falta, porém, profissionalização, no sentido de modernizar o manejo: a irrigação é feita com regador e mangueira, menos da metade das hortas vende, com renda baixa, e faltam maquinário, ferramentas e equipamentos de proteção além dos mais básicos.

O relatório vê grande potencial de crescimento: além das hortas ativas, há 90 áreas permeáveis vazias, com 323.131,20 m², e 58 hortas inativas. O que falta, conclui, são políticas públicas que incentivem o trabalho nessas áreas, com comunicação mais eficaz, interação com a Enel e a Transpetro, a quem pertencem muitas delas, profissionalização dos agricultores e uma rede de troca de conhecimentos entre eles.

O que o diagnóstico recomenda

Fonte: Volume único, Percepções e recomendações dos pesquisadores de campo e Considerações finais.

Os relatórios
na íntegra

O relatório, com 142 páginas, aberto em PDF, sem cadastro.

Perguntas
frequentes

Quem fez o diagnóstico dos agricultores urbanos de Santo André?

A Painel Pesquisas e Consultoria realizou o Diagnóstico Socioeconômico dos Agricultores Urbanos de Santo André, idealizado pelo Departamento de Resíduos Sólidos do Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa), com apoio da Prefeitura de Santo André. A pesquisa de campo foi de 25 de outubro a 20 de dezembro de 2023, com um questionário definido com o Semasa e docentes da UFABC, e o volume único, de 142 páginas, foi publicado em 2024.

Quantas hortas urbanas existem em Santo André?

A pesquisa de 2023 visitou e georreferenciou 388 locais em Santo André. Encontrou 175 hortas urbanas ativas, com 309.628,62 m², e 25 hortas escolares ativas, com 2.168,05 m², além de 9 hortas ativas cujos responsáveis recusaram a entrevista, 58 hortas urbanas inativas e 7 hortas de uso doméstico. 70,3% das hortas urbanas ativas ficam em áreas da Enel, e 348 dos 388 locais estão na Macrozona Urbana.

Quem são os hortelões de Santo André?

Os 164 responsáveis pelas hortas urbanas ativas de Santo André são sobretudo homens (78,0%) e pessoas de 60 anos ou mais (63,4%). 61,6% são casados, 29,3% têm o ensino fundamental incompleto e 36,6% nasceram no Estado de São Paulo. Além da horta, 48,2% têm renda de aposentadoria, e só 14,0% não têm outra fonte de renda. 53,7% trabalham na horta os sete dias da semana, em média 6,4 horas por dia.

Os hortelões de Santo André vendem o que produzem?

Em Santo André, 49,1% das 175 hortas urbanas ativas vendem o que produzem, quase sempre na própria horta e no próprio município. Das 86 que vendem, 33,7% arrecadam até meio salário mínimo, 5,8% mais de 5 salários mínimos e 29,1% não informaram. O que não é vendido vai sobretudo para casa ou é doado. 54,9% das hortas não têm nenhuma pessoa remunerada, e 94,9% não recebem assistência financeira, técnica ou voluntária.

O que o estudo recomenda para as hortas urbanas de Santo André?

O diagnóstico de Santo André recomenda profissionalizar os hortelões, com cursos sobre solo, compostagem, plantas medicinais e Panc, noções de empreendedorismo e irrigação mais eficiente, incentivar a captação da água da chuva e distribuir composto e mudas. Aponta ainda 90 áreas permeáveis vazias, com 323.131,20 m², e 58 hortas inativas que podem receber hortas, com políticas públicas e mediação com a Enel e a Transpetro, a quem pertencem muitas dessas áreas.

Idealização

Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa)Município de Santo André

Realização

Painel Pesquisas e Consultoria

Apoio

Prefeitura de Santo André

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