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Painel Pesquisas e Consultoria
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2023 · Proteção social

Jundiaí/SP — Pesquisa Censitária da População em Situação de Rua 2023

A Painel Pesquisas e Consultoria realizou em 2023 a pesquisa censitária e amostral da população em situação de rua de Jundiaí, contratada pela Prefeitura por meio da Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social. O censo de 9 e 10 de fevereiro contou 246 pessoas, 185 na rua e 61 em acolhimento. A pesquisa amostral de março entrevistou 109 delas, e 88,1% relataram já ter sofrido violência.

Panorâmica de Jundiaí, com bairros e prédios do centro e a Serra do Japi ao fundo
Jundiaí · SP

246 pessoas recenseadas.
109 pessoas entrevistadas.

Iniciativa
Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS)
Período
2023
Pessoas recenseadas
246, em 9 e 10 de fevereiro de 2023
Entrevistados
109, de 3 a 5 de março de 2023
Relatórios
4 volumes, 283 páginas

Sobre o
diagnóstico

A Pesquisa Censitária da População em Situação de Rua de Jundiaí foi proposta pela Prefeitura, por meio da Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS), contratada pelo processo licitatório Convite nº 057/2022 e executada pela Painel Pesquisas e Consultoria de janeiro a março de 2023. O município acompanha o fenômeno desde 2017 por meio de sondagens, como a da UGADS com o TOMARA!, em 2019.

Seu objetivo é contar a população em situação de rua de Jundiaí, conhecer o seu perfil socioeconômico e as suas principais demandas e, com isso, apoiar a criação e o aperfeiçoamento de políticas públicas. A definição de população em situação de rua segue o Decreto nº 7.053/2009, que institui a Política Nacional para a População em Situação de Rua.

O volume 1 traz o planejamento do censo. O volume 2 relata a seleção e o treinamento da equipe, o trabalho de campo e os resultados do censo. O volume 3 apresenta o plano amostral e os resultados da pesquisa com 109 pessoas, e o volume 4 reúne as duas etapas, com análises e conclusões.

O município
de Jundiaí

A rede de assistência social de Jundiaí se organiza em dois departamentos, o de Proteção Social Básica (DPSB) e o de Proteção Social Especial (DPSE). Para a população em situação de rua, a cidade conta com um Abrigo, uma Casa de Passagem, uma República, um Centro Pop, o Consultório na Rua e o Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS), que funciona 24 horas.

habitantes, na estimativa da população
426.935
IBGE, 2021
salários-mínimos de salário médio mensal
3,3
IBGE, 2020
da população está ocupada
45,2%
IBGE, 2020
da população vive em domicílios com até meio salário-mínimo por pessoa
28%
IBGE, 2021
dos domicílios têm esgotamento sanitário adequado
96,6%
IBGE, 2021

Como foi
feito

O censo partiu de um quadro de referência montado com a UGADS: os pontos das abordagens do SEAS em 2022, os endereços das instituições de acolhimento e dos equipamentos da rede, os endereços das cenas de uso de substâncias psicoativas e o mapa das áreas dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). Jundiaí foi dividida em seis distritos censitários, as áreas dos CRAS Central, Leste, Nordeste, Norte, Oeste e Sul, cobertos por 16 roteiros de campo.

Em 9 e 10 de fevereiro de 2023, das 20h às 4h, 10 pesquisadores em duplas percorreram logradouros públicos e as instituições de acolhimento (Abrigo, Casa de Passagem e República), com questionários em tablets. Quando a pessoa dormia ou estava sob efeito de substâncias psicoativas, o pesquisador respondia por atribuição, a partir da observação: 40,7% dos registros foram por abordagem direta e 59,3% por atribuição.

A pesquisa amostral, de 3 a 5 de março de 2023, usou cotas de sexo e raça/cor calculadas sobre o censo. O relatório não compara os distritos: os CRAS Central e Nordeste são vizinhos e as pessoas circulam entre eles, e os distritos Sul e Oeste têm poucas pessoas para uma caracterização própria.

Conheça o método da Painel

Pesquisas da Painel

  • Pesquisa censitária, 9 e 10 de fevereiro de 2023: 246 pessoas, 100 delas entrevistadas por abordagem
  • Pesquisa amostral, 3 a 5 de março de 2023: 109 entrevistas

Rede de atendimento do município

  • Abordagens do Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS), 2022
  • Endereços dos equipamentos da rede e das cenas de uso e mapa das áreas dos CRAS, UGADS, 2023
  • Sondagem da UGADS e do TOMARA!, 2019

Bases oficiais

  • IBGE, estimativa da população, 2021

Os resultados
em números

O censo conta e localiza a população em situação de rua de Jundiaí e traça o seu perfil básico. A pesquisa amostral aprofunda esse perfil em dois grupos, as pessoas que estavam na rua e as que estavam em acolhimento, da trajetória até a rua à saúde, à violência e ao uso dos serviços.

pessoas em situação de rua recenseadas em 9 e 10 de fevereiro de 2023: 185 na rua e 61 em acolhimento
246
Pesquisa censitária, fevereiro de 2023
das pessoas recenseadas na rua estavam na área do CRAS Central
63,8%
Pesquisa censitária, fevereiro de 2023
dos 109 entrevistados citam conflitos familiares como motivo para ir para a rua
47,7%
Pesquisa amostral, março de 2023
dos entrevistados não estão trabalhando, e 38,5% ganham dinheiro pedindo
45,0%
Pesquisa amostral, março de 2023
dos entrevistados já sofreram violência; 91,3% dos que estavam na rua
88,1%
Pesquisa amostral, março de 2023
das 293 situações de violência relatadas tiveram como agressor a Guarda Municipal de Jundiaí (GMJ) ou a Polícia Militar
32,4%
Pesquisa amostral, março de 2023

Os resultados
por tema

Quem são

O censo encontrou uma população sobretudo masculina e não branca, com a maior parte entre 30 e 49 anos. Na pesquisa amostral, um em cada quatro entrevistados tem alguma deficiência, e só 19,3% nasceram em Jundiaí: 36,7% vêm de outro estado e 2,8% de outro país.

das 246 pessoas recenseadas são do sexo masculino
84,6%
Pesquisa censitária, fevereiro de 2023
das pessoas recenseadas são não brancas: 46,0% pardas e 26,0% pretas
72,9%
Pesquisa censitária, fevereiro de 2023
têm de 30 a 39 anos, a faixa mais numerosa; 30,5% têm de 40 a 49 anos
37,8%
Pesquisa censitária, fevereiro de 2023
dos entrevistados têm alguma deficiência, sobretudo física (51,9%)
24,8%
Pesquisa amostral, março de 2023
nasceram em Jundiaí; 36,7% nasceram em outro estado
19,3%
Pesquisa amostral, março de 2023

Onde estão

Três em cada quatro pessoas recenseadas estavam na rua, a maior parte delas na área do CRAS Central. Os bairros com mais pessoas são o Centro, a Vila Arens e o São Camilo. Em acolhimento, a Casa de Passagem reunia metade das pessoas. Na rua, os pontos mais comuns são as calçadas em frente ao comércio e os terrenos baldios.

das 185 pessoas recenseadas na rua estavam na área do CRAS Central; 21,6% na do CRAS Nordeste
63,8%
Pesquisa censitária, fevereiro de 2023
estavam no Centro, 17,3% na Vila Arens e 16,2% no São Camilo
41,1%
Pesquisa censitária, fevereiro de 2023
foram encontradas em frente a unidades comerciais e calçadas; 14,6% em terrenos baldios
37,3%
Pesquisa censitária, fevereiro de 2023
estavam em pontos com uso de substâncias psicoativas; 20,5% em pontos com moradias improvisadas
33,0%
Pesquisa censitária, fevereiro de 2023
pessoas estavam em acolhimento: 31 na Casa de Passagem, 22 no Abrigo Santa Marta e 8 na República
61
Pesquisa censitária, fevereiro de 2023

Trajetória até a rua

Os conflitos familiares e a dependência de álcool e de outras drogas são os principais motivos para a vida na rua. A maioria já teve uma casa e foi dela direto para a rua, e muitos passaram por clínicas de recuperação e pelo sistema prisional. No censo, metade dos entrevistados chegou à situação de rua depois de março de 2020.

citam conflitos familiares; 32,1% a dependência de drogas ilícitas e 21,1% a de álcool
47,7%
Pesquisa amostral, março de 2023
estão em situação de rua há mais de 10 anos; 21,1% há menos de 6 meses
23,9%
Pesquisa amostral, março de 2023
tiveram uma casa e não têm mais; 73,0% dos que saíram de casa foram direto para a rua
59,6%
Pesquisa amostral, março de 2023
passaram por clínica de recuperação de dependência, a mesma proporção dos que passaram pelo sistema prisional
43,1%
Pesquisa amostral, março de 2023
dos 100 entrevistados no censo passaram a viver na rua ou em acolhimento depois de março de 2020; 82,4% dos acolhidos
50,0%
Pesquisa censitária, fevereiro de 2023

Onde dormem

Quase todos os entrevistados na rua dormiram na rua na última semana, a maioria em calçadas. Metade deles não procurou vaga em acolhimento, e um em cada cinco procurou e não conseguiu. A preferência se divide: metade prefere dormir na rua e metade em acolhimento.

dormiram na rua na última semana; 96,3% dos entrevistados na rua
78,9%
Pesquisa amostral, março de 2023
dos que dormem na rua dormem em calçadas; 12,8% em praças
52,3%
Pesquisa amostral, março de 2023
dos que dormiram na rua procuraram vaga em acolhimento e não conseguiram; 53,5% não procuraram
22,1%
Pesquisa amostral, março de 2023
preferem dormir na rua; 49,5% preferem uma instituição de acolhimento
50,5%
Pesquisa amostral, março de 2023

Vínculos familiares

A maioria vive sozinha, e mais da metade não mantém contato com a família ou quase nunca a vê. Entre os entrevistados na rua, 70,0% têm filhos, ante 37,9% dos acolhidos.

vivem sozinhos; 79,3% dos acolhidos
69,7%
Pesquisa amostral, março de 2023
não mantêm contato com os familiares, e 22,9% quase nunca
31,2%
Pesquisa amostral, março de 2023
têm filhos; 70,0% dos entrevistados na rua
61,5%
Pesquisa amostral, março de 2023
têm familiares em Jundiaí
39,4%
Pesquisa amostral, março de 2023

Necessidades básicas

Quatro em cada dez entrevistados passaram um dia inteiro sem comer na semana anterior. A comida vem sobretudo de doações de quem passa na rua, de restaurantes e de grupos, e do Bom Prato. As instituições de acolhimento são o principal lugar de banho, e 21,3% dos entrevistados na rua fazem as necessidades na própria rua.

ficaram um dia inteiro sem comer na última semana; 42,5% dos entrevistados na rua
41,3%
Pesquisa amostral, março de 2023
ganham comida de pessoas na rua; 30,3% comem no Bom Prato
36,7%
Pesquisa amostral, março de 2023
conseguem água em lojas ou postos de gasolina
60,6%
Pesquisa amostral, março de 2023
tomam banho em instituições de acolhimento; 13,8% com água da chuva
55,0%
Pesquisa amostral, março de 2023
dos entrevistados na rua fazem as necessidades fisiológicas na rua
21,3%
Pesquisa amostral, março de 2023

Trabalho e renda

Quase todos trabalhavam antes da situação de rua, a maioria com carteira assinada, sobretudo na construção civil, no comércio e na limpeza. Hoje, 45,0% não trabalham e só 5,5% têm registro em carteira. Pedir é a principal fonte de dinheiro de quem está na rua, e 44,0% recebem algum benefício do governo.

trabalhavam antes da situação de rua; 69,5% deles com carteira assinada
86,2%
Pesquisa amostral, março de 2023
não estão trabalhando; 26,6% fazem bicos e 5,5% têm carteira assinada
45,0%
Pesquisa amostral, março de 2023
ganham dinheiro pedindo; 50,0% dos entrevistados na rua
38,5%
Pesquisa amostral, março de 2023
ganham de R$ 651,01 a R$ 1.302,00 por mês; 12,8% até R$ 100,00
33,0%
Pesquisa amostral, março de 2023
recebem algum benefício do governo, metade deles o Bolsa Família
44,0%
Pesquisa amostral, março de 2023

Saúde

Sete em cada dez entrevistados têm algum problema de saúde. A dependência de álcool é o principal entre os que estão na rua, e a depressão, entre os acolhidos. O uso de substâncias começa antes da vida na rua; só o de álcool cresce depois dela, entre os que estão na rua. O CAPS e o Consultório na Rua são pouco procurados.

têm algum problema de saúde
70,6%
Pesquisa amostral, março de 2023
dos que têm problema de saúde citam dependência de álcool, 50,0% dos entrevistados na rua
41,6%
Pesquisa amostral, março de 2023
dos acolhidos com problema de saúde têm depressão
42,1%
Pesquisa amostral, março de 2023
dos entrevistados na rua usam álcool hoje, ante 73,8% antes de ir para a rua
78,8%
Pesquisa amostral, março de 2023
procuram o CAPS para os problemas de saúde e 21,1% o Consultório na Rua; 52,3% o pronto-socorro ou o hospital
14,7%
Pesquisa amostral, março de 2023
não usam preservativo, a maioria (79,5%) porque não gosta
35,8%
Pesquisa amostral, março de 2023

Violência

A violência atinge quase todos os entrevistados, sobretudo na rua. Roubo ou furto e o recolhimento de pertences são os casos mais citados. Agentes públicos aparecem em 45,3% das situações relatadas, e a GMJ e a Polícia Militar, somadas, em 32,4%. Das 13 pessoas que relataram violência sexual, 9 são mulheres.

já sofreram violência; 91,3% dos entrevistados na rua e 79,3% dos acolhidos
88,1%
Pesquisa amostral, março de 2023
sofreram roubo ou furto; 53,2% tiveram os pertences recolhidos
62,4%
Pesquisa amostral, março de 2023
das 293 situações de violência tiveram a GMJ como agressora e 8,5% a Polícia Militar; 38,2% outras pessoas em situação de rua
23,9%
Pesquisa amostral, março de 2023
mulheres entrevistadas relataram violência sexual (52,9%)
9 de 17
Pesquisa amostral, março de 2023
já foram impedidos de entrar em algum estabelecimento; 42,5% dos entrevistados na rua
36,7%
Pesquisa amostral, março de 2023

Serviços e documentos

Quase todos foram atendidos por algum serviço público nos seis meses anteriores, sobretudo pelo Centro Pop. O Consultório na Rua e a UBS têm as melhores avaliações; o SEAS, o Abrigo e o CAPS AD II, as piores. Entre os entrevistados na rua, 22,5% não têm nenhum documento.

foram atendidos por algum serviço público nos últimos seis meses
91,7%
Pesquisa amostral, março de 2023
dos atendidos passaram pelo Centro Pop; 48,0% pela UBS e 45,0% pelo hospital
70,0%
Pesquisa amostral, março de 2023
avaliam bem o Consultório na Rua, e 93,8% a UBS
97,3%
Pesquisa amostral, março de 2023
dos atendidos pelo SEAS o avaliam mal; 22,2% no Abrigo e 20,0% no CAPS AD II
32,4%
Pesquisa amostral, março de 2023
dos entrevistados na rua não têm nenhum documento
22,5%
Pesquisa amostral, março de 2023
participam de algum grupo ou movimento social; 27,6% dos acolhidos
12,8%
Pesquisa amostral, março de 2023

O que disseram
pessoas em situação de rua

A pesquisa amostral entrevistou 109 pessoas em situação de rua de Jundiaí em 3, 4 e 5 de março de 2023, todas por abordagem direta: 80 na rua e 29 em instituições de acolhimento, 22 no Abrigo e 7 na Casa de Passagem. A amostra é não probabilística, por cotas de sexo e raça/cor, a partir das 246 pessoas do censo. O cálculo com 95% de confiança e 5% de erro deu 149 entrevistas, ajustadas pela distribuição t de Student para 92: 80 homens e 12 mulheres, 67 pessoas não brancas e 25 brancas.

O questionário, validado pela UGADS e testado antes do campo, levava cerca de 20 minutos e tratou de escolaridade, documentos, pernoite, motivos e tempo de rua, vínculos familiares, necessidades básicas, trabalho e renda, saúde, acolhimento e cidadania, com uma pergunta aberta de sugestões à Prefeitura. Previsto para dois dias, o campo ganhou um terceiro por causa das chuvas. Uma suposta ação da GMJ na manhã de 3 de março, relatada por comerciantes, funcionários e pessoas em situação de rua, tornou o campo tenso e exigiu mediação de conflitos.

A análise compara as pessoas na rua e as acolhidas e cruza os tipos de violência sofrida com sexo, idade e raça/cor pelo teste qui-quadrado.

O que a pesquisa encontrou

  1. Perguntados sobre o que a Prefeitura deveria fazer, 19,3% pediram mais abrigos, a mesma proporção dos que não deram sugestão, e 17,4% oportunidades de trabalho. Seguem mais igualdade, respeito e empatia (10,1%) e menos violência policial (7,3%).

  2. Entre as sugestões citadas por uma ou duas pessoas (0,9% a 1,8%) estão acolhimento para casais e para pessoas trans, um abrigo para mulheres, aceitar cachorros no abrigo, banheiros públicos e um Centro dia para a população de rua.

  3. Dos 86 entrevistados que dormiram na rua na última semana, 53,5% não procuraram vaga em acolhimento e 22,1% procuraram e não conseguiram. No total, 50,5% preferem dormir na rua e 49,5% em acolhimento.

  4. O Consultório na Rua (97,3%) e a UBS (93,8%) têm as melhores avaliações. O SEAS tem 32,4% de avaliações negativas, o Abrigo 22,2% e o CAPS AD II 20,0%.

  5. 36,7% já foram impedidos de entrar em algum estabelecimento, 42,5% dos entrevistados na rua. Desses, 75,0% foram barrados em restaurantes, bares ou lanchonetes, e 32,5% em serviços de assistência social ou outros órgãos públicos.

  6. Das 13 pessoas que relataram violência sexual, 9 são mulheres: 52,9% das 17 entrevistadas.

Fonte: Volume 3, pesquisa amostral de 3 a 5 de março de 2023.

Considerações
e recomendações

O censo de fevereiro de 2023 contou 246 pessoas em situação de rua em Jundiaí, três quartos delas na rua e concentradas na área do CRAS Central. A pesquisa amostral mostra uma população sobretudo masculina e não branca, que chega à rua por conflitos familiares e pelo uso de álcool e outras drogas, vive de bicos e de pedir e relata violência em 88,1% dos casos, com agentes da segurança pública entre os principais agressores.

Na saúde, a dependência de álcool é o principal problema de quem está na rua e a depressão, o de quem está acolhido, mas a procura pelo CAPS AD III e pelo Consultório na Rua é baixa. Para o relatório, novos abrigos sozinhos podem não reduzir a população em situação de rua.

O que o diagnóstico recomenda

Fonte: Volume 3, Saúde e Considerações finais; Volume 4, Considerações finais, 2023.

Perguntas
frequentes

Quantas pessoas vivem em situação de rua em Jundiaí?

O censo da Painel Pesquisas e Consultoria contou 246 pessoas em situação de rua em Jundiaí nas noites de 9 e 10 de fevereiro de 2023: 185 na rua e 61 em instituições de acolhimento, 31 delas na Casa de Passagem. Das que estavam na rua, 63,8% ficavam na área do CRAS Central e 21,6% na do CRAS Nordeste. 84,6% são do sexo masculino, e 72,9% são pessoas não brancas.

Quem fez a pesquisa sobre a população em situação de rua de Jundiaí?

A Painel Pesquisas e Consultoria, contratada pela Prefeitura de Jundiaí por meio da Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS), no processo licitatório Convite nº 057/2022. O trabalho foi feito de janeiro a março de 2023, com um censo em 9 e 10 de fevereiro e uma pesquisa amostral com 109 pessoas de 3 a 5 de março. Os resultados estão em quatro volumes, com 283 páginas.

Por que as pessoas estão em situação de rua em Jundiaí?

Na pesquisa amostral de 2023 com 109 pessoas em situação de rua de Jundiaí, 47,7% citaram conflitos familiares como motivo, 32,1% a dependência de drogas ilícitas, 21,1% a de álcool e 18,3% a perda do emprego. 59,6% já tiveram uma casa e não têm mais, e 43,1% passaram pelo sistema prisional. 23,9% estão na rua há mais de 10 anos, e 21,1% há menos de seis meses.

Quanta violência sofre a população em situação de rua de Jundiaí?

Na pesquisa de 2023, 88,1% das pessoas em situação de rua entrevistadas em Jundiaí já sofreram violência, 91,3% das que estavam na rua. Os casos mais citados são roubo ou furto (62,4%) e recolhimento de pertences (53,2%). Das 293 situações relatadas, a Guarda Municipal de Jundiaí aparece como agressora em 23,9% e a Polícia Militar em 8,5%. Das 17 mulheres entrevistadas, 9 relataram violência sexual.

O que a pesquisa recomenda a Jundiaí?

A pesquisa recomenda a Jundiaí avaliar o atendimento do CAPS AD III às pessoas em situação de rua, ampliar as equipes do Consultório na Rua, reforçar a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e a dignidade menstrual, e tomar ações urgentes de formação da Guarda Municipal e da Polícia Militar. Também propõe priorizar trabalho, benefícios e moradias populares, porque novos abrigos sozinhos podem não reduzir essa população, e estimular ações afirmativas nas empresas.

Idealização

Prefeitura de Jundiaí

Realização

Painel Pesquisas e Consultoria

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