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Painel Pesquisas e Consultoria
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2015 · Infância e adolescência

Ribeirão Claro/PR — Diagnóstico Social da Criança e Adolescente

A Painel Pesquisas e Consultoria realizou em 2015 o diagnóstico social da criança e do adolescente de Ribeirão Claro, por iniciativa do CMDCA e com financiamento da CPFL Energia. O volume compara os indicadores de cada direito do ECA entre a Região Centro e três regiões rurais, ouve 204 adolescentes e 301 participantes de 20 audiências públicas e propõe um plano de ação com 15 ações.

Represa de Chavantes, no rio Paranapanema, com o Morro do Gavião ao fundo, em Ribeirão Claro
Ribeirão Claro · PR

A cidade e o campo, em quatro regiões.
204 adolescentes ouvidos.

Iniciativa
CMDCA, com financiamento da CPFL Energia
Período
2015
Regiões
4: a Região Centro, urbana, e 3 rurais
Relatórios
1 volume, 146 páginas
Pessoas ouvidas
204 adolescentes e 301 participantes de audiências públicas
Plano de ação
15 ações para quatro anos

Sobre o
diagnóstico

O Diagnóstico Social da Criança e do Adolescente de Ribeirão Claro nasceu de uma iniciativa do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), inscrito no Programa CPFL de Apoio aos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente. Em 2014, a CPFL Energia destinou ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente recursos da dedução de 1% do seu imposto de renda devido, para que o projeto fosse realizado em 2015, com a participação da Prefeitura. A Painel foi contratada para realizá-lo, acompanhada pela Comissão Local de Diagnóstico e Planejamento da Política Municipal de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Seu objetivo é elaborar o diagnóstico social da criança e do adolescente e o plano de ação do CMDCA: avaliar a atuação do CMDCA, do Conselho Tutelar e dos demais órgãos do Sistema de Garantia de Direitos, verificar as violações dos direitos fundamentais do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) registradas pelo Conselho Tutelar, mapear os atos infracionais e identificar e avaliar a rede de proteção básica e especial.

O volume traz o perfil socioeconômico do município, os indicadores de cada direito do ECA por região e a descrição da rede de atendimento, das secretarias municipais às instituições não governamentais. Em seguida vêm a pesquisa com 204 adolescentes sobre trabalho, violência e drogas, as 20 audiências públicas, a percepção da rede, a avaliação do CMDCA e do Conselho Tutelar e o plano de ação, com o plano de aplicação dos recursos do Fundo para 2016.

O município
de Ribeirão Claro

Ribeirão Claro fica no Norte Pioneiro do Paraná e faz divisa com Chavantes, em São Paulo, pelo Rio Paranapanema, numa região de montanhas e colinas com vegetação remanescente da Mata Atlântica. Entre seus pontos turísticos estão a Represa Chavantes, o Mirante da Serra e a Ponte Pênsil Alves Lima, de 1918, que liga as duas cidades.

habitantes
10.678
IBGE, Censo 2010
habitantes na estimativa do IBGE para 2014, 2,6% a mais que em 2010
10.952
IBGE, estimativa 2014
da população na zona rural, ante 14,7% no Paraná
36,2%
IBGE, Censo 2010
da população tem de 0 a 17 anos, ante 28,3% no Paraná
26,4%
IBGE, Censo 2010
razão de dependência jovem, ante 34,7% no Paraná
33,1%
IBGE, Censo 2010

Como foi
feito

Para a análise, Ribeirão Claro foi dividida em quatro regiões, que sobrepõem os setores censitários do IBGE ao mapa de bairros e localidades do município: a Região Centro, área urbana da sede, e três regiões rurais, Pinhalzinho e Anhumas, Barro Preto, Bocaiúva e Baggio, e Cachoeira e Água da Mula. Quando os dados permitem, cada indicador é relacionado ao local de moradia e comparado entre as regiões; os microdados do Censo comparam a zona rural com a urbana.

Os dados da rede cobrem um ano fechado, de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2014, e foram coletados em 2015 nas instituições governamentais e não governamentais: o Conselho Tutelar, o Fórum, o CRAS, as secretarias municipais, as escolas, a Santa Casa e as organizações sociais. A Pesquisa Documental soma a eles o Censo Demográfico do IBGE de 2010 e seus microdados, o DATASUS de 2014 e o Censo Escolar de 2013, e as violações de direitos são calculadas como taxas por mil habitantes de 0 a 17 anos.

A Painel e a Comissão Local, formada para acompanhar o diagnóstico e o plano de ação, realizaram 20 audiências públicas em bairros urbanos e rurais em agosto e setembro de 2015, e a pesquisa com adolescentes foi aplicada nas escolas estaduais. O plano de ação preliminar foi debatido com o CMDCA e com as secretarias municipais e apresentado à rede de atendimento em reunião de 11 de novembro de 2015.

Conheça o método da Painel

As 4 regiões do diagnóstico

RegiãoBairros e localidadesSituaçãoPopulação (2010)De 0 a 17 anos
CentroCentro.Urbana6.8091.719
Pinhalzinho e AnhumasAnhumas; Pinhalzinho; Limeiras.Rural1.430485
Barro Preto, Bocaiúva e BaggioBarro Preto; Américo Baggio; Santa Tereza; Cateto; Bocaiúva; Ruvina; Cantagallo.Rural1.299349
Cachoeira e Água da MulaCachoeira; São Roque; Bananeira; Campo Alegre; Água da Mula; Três Corações; B. Cunha; Abreus; São Sebastião.Rural1.140270

Fonte da população: IBGE, Censo 2010.

Bases oficiais

  • Censo Demográfico do IBGE, 2010, e seus microdados
  • Estimativa populacional do IBGE, 2014
  • DATASUS: SINASC, SIM e SINAN, 2014
  • Censo Escolar do INEP, 2013
  • IDEB do INEP, 2007 a 2013

Rede de atendimento do município

  • Atendimentos do Conselho Tutelar e do Fórum, 2014
  • Secretaria Municipal de Assistência Social e CRAS: BPC na Escola, oficinas e medidas socioeducativas, 2014
  • Secretaria Municipal de Educação: fonoaudiologia, psicologia e psicopedagogia nas escolas, 2014
  • Escolas e colégios estaduais: projetos de contraturno, 2014
  • Secretaria Municipal de Esportes: vagas e participantes dos projetos, 2014
  • Secretaria Municipal de Saúde: gestantes acompanhadas, 2015
  • Santa Casa de Misericórdia: atendimentos de crianças e adolescentes, 2014
  • Instituições não governamentais: Lar da Criança Jesus Amigo, APAE, Associação Atlética dos Menores Ribeirão-Clarenses, Associação de Corredores, ARCCA e Pastoral da Criança, 2014
  • Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE): estágios, 2014 e 2015

Os resultados
em números

A Pesquisa Documental organiza os indicadores pelos direitos fundamentais do ECA, com dados do IBGE, do DATASUS, do Censo Escolar e da rede de atendimento, e os compara entre as quatro regiões ou entre as zonas rural e urbana. A pesquisa com 204 adolescentes e as 20 audiências públicas trazem a opinião de quem vive no município.

adolescentes ouvidos nas escolas estaduais; 42,6% dizem trabalhar, 74,7% destes com salário
204
Pesquisa com adolescentes, 2015
participantes em 20 audiências públicas nos bairros urbanos e rurais
301
Audiências públicas, 2015
dos domicílios da zona rural são adequados, ante 90,7% na zona urbana
9,5%
IBGE, Censo 2010, microdados
de abandono no ensino médio público, ante 7,3% no Paraná
12,7%
INEP, Censo Escolar 2013
vítimas de negligência por mil crianças e adolescentes na Região Pinhalzinho e Anhumas; 3,5 no município
14,4
Conselho Tutelar, 2014
ações no plano de ação de quatro anos; R$ 447.620,00 no plano de aplicação de 2016
15
Plano de Ação do CMDCA, 2015

Os resultados
por direito

Perfil socioeconômico

Em 2010, a Região Centro, área urbana da sede, reunia 63,8% dos 10.678 habitantes e 61% das crianças e adolescentes. A Região Pinhalzinho e Anhumas tem o maior percentual de população de 0 a 17 anos (33,9%), a maior razão de dependência jovem (40,2%) e o maior percentual de domicílios de renda baixa (14,4%). Nas três regiões rurais, de 60,6% a 86,3% dos domicílios não tinham abastecimento da rede geral, e só 9,5% dos domicílios da zona rural eram adequados pelos critérios do IBGE, ante 90,7% na urbana.

da população da Região Pinhalzinho e Anhumas tem de 0 a 17 anos; 26,4% no município
33,9%
IBGE, Censo 2010
dos domicílios da Região Barro Preto, Bocaiúva e Baggio sem abastecimento da rede geral; 25,8% no município
86,3%
IBGE, Censo 2010
dos domicílios da Região Barro Preto, Bocaiúva e Baggio sem rede de esgoto ou fossa séptica; 17,5% no município
65,1%
IBGE, Censo 2010
dos domicílios da Região Pinhalzinho e Anhumas com renda familiar per capita inferior a ¼ de salário mínimo; 5,6% no município
14,4%
IBGE, Censo 2010

Direito à vida e saúde

Em 2014 nasceram 80 crianças em Ribeirão Claro, uma taxa de natalidade de 7,5 por mil habitantes, e não houve óbito de menor de 1 ano; houve 2 natimortos, ambos na Região Centro. 21,3% dos nascidos vivos tiveram menos de 7 consultas de pré-natal, 41,2% na Região Pinhalzinho e Anhumas, e 10 adolescentes de 12 a 17 anos tiveram filhos, 1,8% das residentes dessa idade. O SINAN registrou 17 agravos de crianças e adolescentes, 76,5% deles atendimentos antirrábicos, e a Santa Casa fez 4.727 atendimentos de crianças e adolescentes, 52,4% deles consultas de atenção básica.

dos nascidos vivos com menos de 7 consultas de pré-natal; 41,2% na Região Pinhalzinho e Anhumas
21,3%
DATASUS, SINASC e SIM, 2014
nascidos vivos por mil habitantes; 11,9 na Região Pinhalzinho e Anhumas
7,5
DATASUS, SINASC e SIM, 2014
agravos notificados por mil crianças e adolescentes; 7,4 na Região Cachoeira e Água da Mula
6,0
DATASUS, SINAN, 2014
atendimentos de crianças e adolescentes na Santa Casa; 52,4% consultas de atenção básica
4.727
Santa Casa de Misericórdia, 2014

Direito à educação, cultura, esporte e lazer

Pelo Censo de 2010, 1,8% das crianças de 6 a 14 anos e 11,6% dos adolescentes de 15 a 17 anos estavam fora da escola, 13,7% na zona rural, e só 15,7% das crianças de 0 a 3 anos frequentavam creche, ante 30,3% no Paraná. No Censo Escolar de 2013, o ensino médio público teve abandono de 12,7% e distorção escolar de 30,4%, acima do Paraná (7,3% e 24,3%), enquanto a nota do IDEB da rede municipal subiu de 5,5 em 2007 para 6,7 em 2013. O Conselho Tutelar não registrou violação deste direito em 2014.

de abandono no ensino médio público, ante 7,3% no Paraná
12,7%
INEP, Censo Escolar 2013
das crianças de 0 a 3 anos frequentam creche; 9,8% na zona rural
15,7%
IBGE, Censo 2010
dos adolescentes de 15 a 17 anos da zona rural fora da escola; 11,6% no município
13,7%
IBGE, Censo 2010
nota do IDEB da rede municipal, ante 5,5 em 2007
6,7
INEP, IDEB 2013

Direito à convivência familiar e comunitária

Em 2010, 14 adolescentes eram responsáveis por domicílio em Ribeirão Claro, 0,4% dos responsáveis, e a Região Barro Preto, Bocaiúva e Baggio tinha o maior percentual, 1,0%. Em 2014, o Conselho Tutelar e o Fórum registraram 5 casos de violação do direito à convivência familiar e comunitária, 1,8 por mil crianças e adolescentes, com as taxas mais altas na Região Cachoeira e Água da Mula (3,7) e na Região Pinhalzinho e Anhumas (2,1). Nos pareceres da rede de atendimento, a omissão das famílias é o ponto fraco mais citado.

adolescentes responsáveis por domicílio, 0,4% dos responsáveis; 1,0% na Região Barro Preto, Bocaiúva e Baggio
14
IBGE, Censo 2010
casos de violação deste direito por mil crianças e adolescentes
1,8
Conselho Tutelar e Fórum, 2014
casos por mil na Região Cachoeira e Água da Mula, a taxa mais alta
3,7
Conselho Tutelar e Fórum, 2014

Direito à liberdade, respeito e dignidade

A violência psicológica foi a violação mais registrada em 2014: 34 casos no Conselho Tutelar e no Fórum, 12,0 por mil crianças e adolescentes, com 16,5 na Região Pinhalzinho e Anhumas e 12,8 na Região Centro. Houve ainda 14 casos de violência física, 5,0 por mil, 10 de negligência, 3,5 por mil e 14,4 na Região Pinhalzinho e Anhumas, e 2 de violência sexual. Dos 38 atos infracionais registrados pelo Conselho Tutelar e pelo Fórum, 23 foram de adolescentes da Região Centro.

vítimas de violência psicológica por mil crianças e adolescentes; 16,5 na Região Pinhalzinho e Anhumas
12,0
Conselho Tutelar e Fórum, 2014
vítimas de negligência por mil na Região Pinhalzinho e Anhumas; 3,5 no município
14,4
Conselho Tutelar, 2014
vítimas de violência física por mil; 7,0 na Região Centro
5,0
Conselho Tutelar, Fórum e CRAS, 2014
atos infracionais registrados, 23 deles de adolescentes da Região Centro
38
Conselho Tutelar e Fórum, 2014

Direito à profissionalização e proteção no trabalho

No Censo de 2010, 3,1% das crianças de 10 a 13 anos de Ribeirão Claro trabalhavam, todas na zona rural, onde a taxa chegava a 8,2%, e 15,4% dos adolescentes de 14 e 15 anos, 16,1% na zona urbana. Nenhuma instituição registrou violação deste direito em 2014. Naquele ano, a prefeitura tinha 61 estagiários contratados por meio do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), 30 deles adolescentes de 16 e 17 anos; para o CIEE, o caráter familiar dos negócios locais limita os estágios no comércio.

das crianças de 10 a 13 anos da zona rural trabalhavam; 3,1% no município
8,2%
IBGE, Censo 2010
dos adolescentes de 14 e 15 anos trabalhavam; 16,1% na zona urbana
15,4%
IBGE, Censo 2010
dos 61 estagiários da prefeitura eram adolescentes de 16 e 17 anos
30
Prefeitura e CIEE, 2014

Os atendimentos do Conselho Tutelar e do Fórum

Em 2014, o Conselho Tutelar atendeu 43 crianças e adolescentes, 74,4% do sexo masculino, 65,1% deles encaminhados pela Delegacia. Abandono de incapaz (23,3%) e acompanhamento de medida socioeducativa (18,6%) foram os fatos mais registrados, e 37,2% dos atendidos não tinham região informada. O Fórum fez 52 atendimentos de adolescentes, 86,5% da Região Centro, sobretudo por furto ou roubo (23,1%) e injúria (21,2%). Para o relatório, os poucos registros do Conselho Tutelar dificultam conhecer as violações de direitos no município.

crianças e adolescentes atendidos pelo Conselho Tutelar; 39,5% da Região Centro
43
Conselho Tutelar, 2014
dos atendimentos do Conselho Tutelar por abandono de incapaz
23,3%
Conselho Tutelar, 2014
atendimentos de adolescentes no Fórum; 86,5% da Região Centro
52
Fórum, 2014
dos atendimentos do Fórum por ato infracional; 36,5% por violência psicológica
44,2%
Fórum, 2014

A rede de atendimento

Em 2014, a Secretaria Municipal de Esportes oferecia 620 vagas a crianças e adolescentes, mas 54,0% dos participantes moravam na Região Centro e 0,6% na Região Barro Preto, Bocaiúva e Baggio. As escolas municipais atendiam 292 crianças e adolescentes com fonoaudiologia, psicologia e psicopedagogia, e as escolas estaduais, 238 alunos em projetos de contraturno. Nas audiências, os moradores da zona rural disseram que a maior parte das atividades fica na área urbana e que a falta de transporte impede a participação.

vagas de esporte para crianças e adolescentes; 54,0% dos participantes moram na Região Centro
620
Secretaria Municipal de Esportes, 2014
crianças e adolescentes atendidos por fonoaudiologia, psicologia e psicopedagogia nas escolas municipais
292
Secretaria Municipal de Educação, 2014
alunos nos projetos de contraturno das escolas e colégios estaduais
238
Escolas e colégios estaduais, 2014
das 68 crianças e adolescentes do Lar da Criança Jesus Amigo chegaram encaminhados pela escola
70,6%
Associação Lar da Criança Jesus Amigo, 2014

O que disseram
os adolescentes e a comunidade

A pesquisa sobre trabalho, violência e drogas ouviu 204 estudantes das escolas estaduais de Ribeirão Claro em 2015, em turmas do 8º e do 9º ano do ensino fundamental e do ensino médio, com autorização do município e das diretoras. A população de 13 a 17 anos é de 921 adolescentes, e a amostra tem confiança de 90% e margem de erro de aproximadamente 5%. O questionário foi de autopreenchimento, e alguns jovens que pediram para responder também participaram: 84% dos entrevistados têm de 14 a 17 anos, 58,3% são do sexo masculino e 57,4% moram no Centro.

Em agosto e setembro de 2015, a Painel e a Comissão Local realizaram 20 audiências públicas, ou grupos de conversa, em escolas, na APAE e em bairros urbanos e rurais, com cerca de duas horas cada e ao menos um membro do CMDCA; uma delas não teve participantes. Nos bairros rurais, as queixas mais repetidas foram o transporte para as atividades e para a saúde, a falta de médico no posto, o ensino médio longe de casa e as poucas ofertas de trabalho. A pesquisa com a rede de atendimento reuniu ainda 20 pareceres de instituições: o trabalho do Lar da Criança Jesus Amigo é o ponto forte mais citado, e a omissão das famílias, o ponto fraco.

Audiências públicas

Adolescentes
118
participantes, em agosto e setembro de 2015
Crianças
10
participantes, em agosto e setembro de 2015
Adultos: pais, profissionais e moradores
173
participantes, em agosto e setembro de 2015

O que a pesquisa encontrou

  1. 42,6% dizem trabalhar, 43,7% deles para a família, sobretudo no comércio (36,8%) e na agricultura (16,1%); 74,7% dos que trabalham recebem salário.

  2. 57,8% não conhecem seus direitos e deveres de acordo com o ECA, e 66,9% destes nunca viram o Estatuto. 66,7% sabem onde fica o Conselho Tutelar e 69,1% sabem para que ele serve.

  3. 24,0% já sofreram alguma violência: psicológica ou bullying (18,6%), física (9,8%) e sexual (2,9%, 6 adolescentes). A escola é o local mais citado da violência psicológica, por 30 adolescentes.

  4. Sobre sexo, conversam mais com os amigos (52,5%) do que com a mãe (25,0%) ou o pai (12,7%), e 18,1% não conversam com ninguém; 93,1% dizem saber prevenir a gravidez.

  5. 70,6% já provaram bebida alcoólica, 25,0% cigarro e 16,2% maconha, e 39,4% dos que provaram maconha continuam usando. 76,5% consideram o álcool uma droga, e 63,2% são contra a maconha.

  6. 54,4% citam outros familiares e 42,2% os próprios pais entre as pessoas próximas que bebem cerveja, enquanto 32,4% têm amigos que fumam maconha.

Fonte: Pesquisa sobre trabalho, violência e drogas com adolescentes, 2015.

Considerações
e recomendações

A avaliação do Sistema de Garantia de Direitos aponta que a Secretaria dos Conselhos mantém o CMDCA organizado, mas recomenda reuniões plenárias regulares, com as datas publicadas no início do ano, a atualização da legislação municipal, uma comissão permanente de avaliação de projetos e a capacitação continuada dos conselheiros. O Conselho Tutelar funciona em duas salas sem identificação, registra poucos atendimentos e não tem calendário de reuniões do colegiado; para o relatório, a falta de registros é a questão crucial, a resolver com a sensibilização dos conselheiros e um auxiliar administrativo na sede.

O Plano de Ação do CMDCA, para quatro anos, foi elaborado com a assessoria da Painel a partir dos dados do diagnóstico e das 20 audiências públicas, debatido com o CMDCA e as secretarias municipais e apresentado à rede em reunião de 11 de novembro de 2015. Suas 15 ações seguem os direitos do ECA e indicam a inclusão no Plano Plurianual (PPA), na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA); o plano de aplicação do CMDCA para 2016 soma R$ 447.620,00 em seis delas.

O que o diagnóstico recomenda

Fonte: Volume 1, Avaliação dos recursos fundamentais do Sistema de Direitos e Plano de Ação do CMDCA.

Perguntas
frequentes

Quem fez o diagnóstico da criança e do adolescente de Ribeirão Claro?

A Painel Pesquisas e Consultoria, em 2015. O Diagnóstico Social da Criança e do Adolescente de Ribeirão Claro/PR foi uma iniciativa do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), financiada pela CPFL Energia por meio do seu programa de apoio aos CMDCAs, com recursos destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Uma Comissão Local acompanhou o trabalho, e o volume, de 146 páginas, reúne o diagnóstico e o plano de ação do CMDCA.

Quais regiões de Ribeirão Claro têm os piores indicadores?

O diagnóstico de Ribeirão Claro não faz um ranking geral, mas compara os indicadores entre a Região Centro e três regiões rurais. A Região Pinhalzinho e Anhumas tem a maior proporção de crianças e adolescentes (33,9%) e as maiores taxas de negligência (14,4 por mil) e de violência psicológica (16,5 por mil) em 2014. Nas regiões rurais, até 86,3% dos domicílios não tinham água da rede geral em 2010. A Região Centro concentra 23 dos 38 atos infracionais registrados.

De onde vêm os dados do diagnóstico de Ribeirão Claro?

Do Censo Demográfico do IBGE de 2010 e seus microdados, do DATASUS e do Censo Escolar, e de um ano fechado de registros da rede de Ribeirão Claro, de janeiro a dezembro de 2014, coletados em 2015: o Conselho Tutelar, o Fórum, o CRAS, as secretarias municipais, as escolas, a Santa Casa e as instituições não governamentais. Os indicadores seguem os cinco direitos fundamentais do ECA e comparam as quatro regiões do município.

Quantas pessoas foram ouvidas no diagnóstico de Ribeirão Claro?

204 adolescentes das escolas estaduais de Ribeirão Claro responderam em 2015 ao questionário sobre trabalho, violência e drogas, com confiança de 90% e margem de erro de cerca de 5%. Em agosto e setembro de 2015, 20 audiências públicas em escolas e bairros urbanos e rurais reuniram 301 participantes: 118 adolescentes, 10 crianças e 173 adultos. A pesquisa com a rede de atendimento reuniu ainda 20 pareceres de instituições.

O que o plano de ação recomenda para Ribeirão Claro?

O Plano de Ação do CMDCA de Ribeirão Claro, para quatro anos, tem 15 ações nos cinco direitos do ECA. Entre elas: formar adolescentes multiplicadores sobre sexualidade e drogas, descentralizar o esporte e a cultura para a zona rural, oferecer formação continuada à rede, atender os adolescentes em medidas socioeducativas, criar um programa municipal de aprendizagem e uma Escola de Pais. O plano de aplicação do CMDCA para 2016 prevê R$ 447.620,00 para seis dessas ações.

Idealização

CPFL Energia, Programa CPFL de Apoio ao CMDCAMunicípio de Ribeirão Claro

Realização

Painel Pesquisas e Consultoria

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