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Painel Pesquisas e Consultoria
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2019 — 2022 · Infância e adolescência

Palmeira/PR — Diagnóstico Social com Foco na Identificação do Trabalho Infantil

A Painel Pesquisas e Consultoria realizou o diagnóstico social de Palmeira com foco na identificação do trabalho infantil, por iniciativa da Secretaria Municipal de Assistência Social e com recursos do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI). Publicado em 2022, o volume único ouve 4.309 crianças e adolescentes das escolas públicas, encontra 35,7% dos 3.624 alunos do 3º ano do ensino fundamental à 3ª série do ensino médio em situação irregular de trabalho e compara as dez regiões do município em um mapa social.

Igreja Matriz de Palmeira e a praça ajardinada com palmeiras, no centro da cidade
Palmeira · PR

12 indicadores em dez regiões.
4.309 crianças e adolescentes ouvidos.

Iniciativa
Secretaria Municipal de Assistência Social de Palmeira, com recursos do PETI
Período
2019 a 2022
Regiões
10, sendo 2 rurais
Indicadores
12 por região, em 1 mapa social
Relatórios
1 volume, 119 páginas
Pessoas ouvidas
4.309 crianças e adolescentes, 685 deles na pesquisa lúdica

Sobre o
diagnóstico

O Diagnóstico Social de Palmeira/PR com Foco na Identificação do Trabalho Infantil nasceu de uma iniciativa da Secretaria Municipal de Assistência Social. Seguiu as orientações do Edital de Tomada de Preços nº 003/2019-SEMAS, foi acompanhado por uma Comissão de Acompanhamento do município e foi adquirido com recursos do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI).

Seu objetivo é subsidiar as instâncias governamentais e não governamentais na formulação e na execução das políticas públicas para a infância e a adolescência, com indicadores por território que identificam o número e o perfil das crianças e adolescentes sujeitos às situações de trabalho infantil e os principais tipos de trabalho. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e as Orientações Técnicas do PETI, de 2018, guiaram a sua construção.

O volume único reúne os dados gerais do município, o perfil demográfico e socioeconômico das dez regiões, o direito à profissionalização e à proteção no trabalho, o mapeamento do Sistema de Garantia de Direitos, as demandas da rede de atendimento, a pesquisa quantitativa censitária com crianças e adolescentes, o mapa social das atividades de trabalho irregular, a pesquisa lúdica com crianças do 1º e 2º ano do ensino fundamental, as considerações finais e as recomendações.

O município
de Palmeira

Palmeira fica na mesorregião Centro Oriental Paranaense, em uma área de 1.459,42 km². Sua formação está ligada ao Caminho das Tropas; tornou-se cidade em 1877 e consolidou-se com a chegada de imigrantes europeus, como os da Colônia Cecília, uma colônia de experiência anarquista.

habitantes
32.123
IBGE, Censo 2010
habitantes, na estimativa da população
33.994
IBGE, 2020
da população vive na zona rural, ante 14,7% no Paraná
39,7%
IBGE, Censo 2010
da população tem de 0 a 17 anos
30,2%
IBGE, Censo 2010
IDHM, faixa alta: 1.362ª posição entre os 5.565 municípios brasileiros
0,718
IDHM, 2010

Como foi
feito

Com a Comissão de Acompanhamento do diagnóstico e técnicos da Secretaria Municipal de Assistência Social, Palmeira foi dividida em dez regiões geográficas de características socioeconômicas semelhantes, formadas por bairros e localidades e respeitando os setores censitários do IBGE: oito na área urbana e duas na zona rural. A Comissão, com representantes da gestão, da secretaria executiva dos conselhos, do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e da educação municipal e regional, participou de reuniões de planejamento e articulação ao longo do projeto.

O diagnóstico começou em 2019. Os dados da rede de atendimento e das bases oficiais vão de 2018 a 2020, a pesquisa com crianças e adolescentes foi feita em 2022 e a população de cada região vem do Censo Demográfico de 2010. Cada indicador é calculado sobre a população ou a amostra da região, em percentual, comparado com a média do município e classificado por quintis, de muito baixo a muito alto. O mapeamento da rede, validado pela Comissão, reuniu 97 instituições do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA).

Os 12 indicadores do mapa social vêm da pesquisa quantitativa: cada um é o percentual dos entrevistados da região que realizam uma atividade em situação irregular de trabalho. As 408 entrevistas sem região informada entram apenas no total do município.

Conheça o método da Painel

As 10 regiões do diagnóstico

RegiãoBairros e localidadesSituaçãoPopulação (2010)De 0 a 17 anos
Região 1Vila Militar; Vila Mayer; DER (Departamento de Estrada de Rodagem); Sebastiana Agnes; Vila Bugai; Beco do Fontana; Vila Maria.Urbana2.832684
Região 2Distrito Industrial.Urbana370110
Região 3Condomínio Parque dos Franceses; Vila Vicentina; Beco do Passoni; Colônia Francesa.Urbana1.603563
Região 4Vila Boles; Jardim Santa Helena; Wolla Brudgiska.Urbana1.792528
Região 5Gralha Azul I e II; Arco Iris; Bela Vista; Vila Palmeirinha; Loteamento Santana ou Municipal; Vila Rural; Sol Nascente; Jardim Santa Rosa I e Santa Rosa II; Jardim Itália; Lily Bacila; Vila Monjolo.Urbana4.3071.482
Região 6Núcleo João Paulo II; Núcleo Nossa Senhora da Conceição; Loteamento Santa Felicidade.Urbana5.2111.507
Região 7Nossa Senhora do Rocio; Loteamento Rocio II; Loteamento Ana Flor.Urbana866293
Região 8Farajala Bacila; Papiros; Vila Vida.Urbana2.239669
Região 9Alto Cascavel; Benfica; Lago; Colônia Witmarsum; Cercado; Quero-Quero; Pugas de Cima; Pugas de Baixo; Colônia Primavera; Cajuru; Usina do Salto; Pinheral de Baixo; Pinheral de Cima; Mandaçaia; Faxinal dos Quartins; Faxinal do Silva; Poço Grande; Sítio Vitória; São Marcos; Ranchinho; Passo do Tio Paulo; Lageado Liso; Santa Bárbara de Baixo; Santa Bárbara de Cima; Canta Galo; Água Clara; Boqueirão; Faxinal Grande; Santa Quitéria; Monte Alegre; Colônia Gregório; Rio das Pedras; Rio da Areia; Três Morros; Catanduvas; Volta Grande.Rural4.6541.423
Região 10Papagaios Novos (Vilinha); Colônia Papagaios; Campo do Meio; Campo Novo; Rincão do Coxo; Faxinal Rincão; Queimadas; Encruzilhada; Campestrinho; Vieiras; Limeira; São Pedro; Colônia Maciel; Paiol do Fundo; Moinho Várgea; Campestre; Faxinal dos Mineiros; Boa Vista; Serraria Castelli; Guarauninha; Volta Grande; Faxina; Guaraúna de Tocas; Guaraúna Borges; Turvo; Forquilha.Rural8.2492.452

Fonte da população: IBGE, Censo 2010.

Rede de atendimento do município

  • Fichas de atendimento do Conselho Tutelar
  • Atendimentos do PAIF, no CRAS, e do PAEFI, no CREAS (Registro Mensal de Atendimentos), 2019
  • Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), 2019
  • Projetos e programas das Secretarias Municipais de Educação e de Cultura e Esportes
  • Mapeamento do Sistema de Garantia de Direitos, Painel Pesquisas e Consultoria, 2020

Bases oficiais

  • Censo Demográfico do IBGE, 2010 (microdados e agregados)
  • Cadastro Único (CadÚnico), fevereiro de 2020
  • Censo Escolar do INEP, 2018
  • RAIS, 2019, e vagas de aprendizagem da Secretaria de Inspeção do Trabalho, com base na RAIS e no CAGED, 2019
  • Boletins de ocorrência da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (SSP/PR), 2018

Os resultados
em números

O volume único calcula para cada uma das dez regiões 12 indicadores das situações de trabalho irregular, da pesquisa com crianças e adolescentes. O mapa social compara as regiões com a média do município e conta, em cada uma, os indicadores acima dela; o perfil das regiões, os registros da rede e a pesquisa lúdica completam os resultados.

dos 3.624 entrevistados de 7 a 17 anos estão em situação irregular de trabalho; 40,3% na Zona Rural II
35,7%
Pesquisa com crianças e adolescentes, 2022
crianças e adolescentes, 8,8% da amostra, em atividades proibidas pela legislação, sem meios de regularização
319
Pesquisa com crianças e adolescentes, 2022
indicadores de trabalho irregular da Vila Rosa acima da média do município, a região de maior incidência
8 de 12
Volume único, 2022
das 685 crianças do 1º e 2º ano do ensino fundamental em situação irregular de trabalho
14,6%
Pesquisa lúdica com crianças, 2022
crianças e adolescentes de 10 a 15 anos ocupados, em trabalho infantil pelo critério do IBGE: 9,7% dos de 10 a 17 anos
471
IBGE, Censo 2010 (microdados)
família com marcação de trabalho infantil no CadÚnico, ante 61 em 2013, entre 2.863 famílias inscritas
1
CadÚnico, fevereiro de 2020

Mapa social
por eixo

Escolha um eixo para ver no mapa quantos indicadores de cada uma das 10 regiões ficam piores que a média. Selecione uma região, no mapa ou na lista, para ver em quais indicadores ela fica pior que a média do município. As tabelas completas vêm logo abaixo.

Atividades de trabalho irregular

12 indicadores

A Vila Rosa fica acima da média em 8 dos 12 indicadores e é a única de classe muito alta, com o maior percentual em afazeres domésticos (16,7%). Seguem São José e Regina Vitória, com 7, e Jardim Christine, com 6, ambas de classe alta: as três regiões que pedem maior atenção do gestor público. São José e Regina Vitória tem os maiores percentuais em coleta de material reciclável (8,3%), tráfico de drogas (3,5%) e exploração sexual comercial (3,1%); o Distrito Industrial, com 6 entrevistados, e o Centro ficam acima da média em 2 indicadores.

Veja a tabela completa

Área urbana: regiões 1 a 8

Município: zonas rurais, regiões 9 e 10

Indicadores piores que a média:

  • Até um terço
  • Até dois terços
  • Mais de dois terços
  • Área urbana

Fonte: Volume único, Mapa 1: divisão territorial das regiões do município, visão geral.

As tabelas completas

Atividades de trabalho irregular12 indicadores
Mapa social do eixo atividades de trabalho irregular em Palmeira: o valor de cada indicador por região, a média do município, a contagem de indicadores piores que a média.
RegiãoAfazeres domésticosCuidar de crianças ou pessoas idosasAtividades manuais e artesanatoAtividades ruraisColeta de material reciclávelLavação carros e OficinasAtividades administrativasVendas ou atendimentoAtividade de cozinharTráfico de drogasMendicânciaExploração sexual comercialPiores que a média
Média do município12,0%maior é pior7,3%maior é pior1,6%maior é pior4,5%maior é pior4,3%maior é pior3,6%maior é pior0,3%maior é pior1,1%maior é pior14,6%maior é pior2,6%maior é pior0,6%maior é pior2,8%maior é pior
Região 2Distrito Industrialnenhum registronenhum registronenhum registronenhum registronenhum registro16,7%, pior valor entre as regiõesnenhum registronenhum registro16,7%, pior que a médianenhum registronenhum registronenhum registro2 de 12 (16,7%)
Região 1Centro11,0%7,2%1,3%5,2%, pior que a média3,6%2,8%0,5%, pior que a média0,8%13,8%0,9%0,5%2,5%2 de 12 (16,7%)
Região 9Zona Rural I6,2%4,6%1,4%11,1%, pior valor entre as regiões3,3%4,9%, pior que a médianenhum registro1,6%, pior que a média12,2%2,2%0,5%2,2%3 de 12 (25,0%)
Região 6Rocio I9,8%9,8%, pior que a média1,6%1,6%2,8%2,8%nenhum registro0,4%21,6%, pior valor entre as regiões3,1%, pior que a média0,4%2,0%3 de 12 (25,0%)
Região 3Colônia Francesa10,3%6,5%1,9%, pior que a média1,9%1,9%2,8%nenhum registro2,8%, pior valor entre as regiões8,4%0,9%0,9%, pior que a média1,9%3 de 12 (25,0%)
Região 7Rocio II14,6%, pior que a média6,5%0,5%0,5%3,2%3,8%, pior que a médianenhum registro2,7%, pior que a média15,1%, pior que a média2,2%0,5%2,7%4 de 12 (33,3%)
Região 10Zona Rural II11,4%10,1%, pior valor entre as regiões1,3%6,7%, pior que a média3,4%5,4%, pior que a médianenhum registronenhum registro15,4%, pior que a média2,0%1,3%, pior valor entre as regiões2,7%5 de 12 (41,7%)
Região 4Jardim Christine12,9%, pior que a média7,4%, pior que a média2,0%, pior que a média0,6%5,6%, pior que a média2,2%0,2%1,0%15,7%, pior que a média2,0%0,4%2,8%, pior que a média6 de 12 (50,0%)
Região 8São José e Regina Vitória10,1%8,8%, pior que a média1,8%, pior que a média0,9%8,3%, pior valor entre as regiões2,6%0,0%1,8%, pior que a média16,7%, pior que a média3,5%, pior valor entre as regiões0,4%3,1%, pior valor entre as regiões7 de 12 (58,3%)
Região 5Vila Rosa16,7%, pior valor entre as regiões8,0%, pior que a média2,3%, pior valor entre as regiões6,6%, pior que a média3,4%4,3%, pior que a média0,6%, pior valor entre as regiões0,9%14,8%, pior que a média2,9%, pior que a média0,4%2,4%8 de 12 (66,7%)

Fontes: Pesquisa com crianças e adolescentes, 2022.

Os resultados
por tema

Perfil demográfico e socioeconômico

A Zona Rural II é a região mais populosa, com 8.249 habitantes, 25,7% do município. A renda nominal per capita vai de R$ 387,60 na Colônia Francesa a R$ 1.014,70 no Centro, 2,6 vezes mais. Na Zona Rural II, 37,3% dos domicílios têm renda per capita de até 1/2 salário-mínimo, ante 25,0% no município, e a Colônia Francesa tem os maiores percentuais de pessoas não alfabetizadas (9,0%) e de crianças e adolescentes (35,1%).

de renda nominal per capita, de R$ 387,60 na Colônia Francesa a R$ 1.014,70 no Centro
R$ 551,80
IBGE, Censo 2010
dos domicílios da Zona Rural II têm renda per capita de até 1/2 salário-mínimo, ante 25,0% no município
37,3%
IBGE, Censo 2010
da população de 5 anos ou mais da Colônia Francesa não é alfabetizada, ante 5,3% no município
9,0%
IBGE, Censo 2010
da população da Colônia Francesa tem de 0 a 17 anos, ante 24,2% no Centro
35,1%
IBGE, Censo 2010

O trabalho infantil no Censo de 2010

Em 2010, Palmeira tinha 761 crianças e adolescentes de 10 a 17 anos ocupados, 15,6% dos 4.874 dessa idade: 41,7% em trabalho remunerado e 35,3% em atividades rurais. Pelo critério do IBGE, que considera trabalho infantil toda ocupação de 10 a 15 anos, 471 estavam nessa situação, 9,7%. Das 141 crianças ocupadas de 10 a 13 anos, 83 trabalhavam em atividades rurais.

crianças e adolescentes de 10 a 17 anos ocupados, 15,6% dessa idade
761
IBGE, Censo 2010 (microdados)
deles tinham de 10 a 15 anos, em trabalho infantil pelo critério do IBGE
471
IBGE, Censo 2010 (microdados)
dos ocupados de 10 a 17 anos trabalhavam em atividades rurais
35,3%
IBGE, Censo 2010 (microdados)
das 141 crianças ocupadas de 10 a 13 anos estavam em atividades rurais
83
IBGE, Censo 2010 (microdados)

Registros da rede de atendimento

Em fevereiro de 2020, das 2.863 famílias inscritas no CadÚnico, 761 (26,58%) recebiam o Programa Bolsa Família e só uma tinha marcação de trabalho infantil, ante 61 em 2013. O relatório lê essa queda como sinal da necessidade de ampliar a busca ativa, não como diminuição do trabalho irregular. Em 2019, o PAIF e o PAEFI atenderam 2 famílias cada com crianças ou adolescentes em trabalho infantil, e o SCFV não registrou nenhum caso. Em 2018, a delegacia registrou 5 boletins de ocorrência de adolescentes por tráfico de drogas, uma das piores formas de trabalho infantil.

família com marcação de trabalho infantil no CadÚnico, ante 61 em 2013
1
CadÚnico, fevereiro de 2020
famílias inscritas no CadÚnico, 761 (26,58%) com o Programa Bolsa Família
2.863
CadÚnico, fevereiro de 2020
famílias com crianças ou adolescentes em trabalho infantil atendidas no PAIF, e outras 2 no PAEFI
2
Secretaria Municipal de Assistência Social (RMA), 2019
boletins de ocorrência de ato infracional por tráfico de drogas de adolescentes até 17 anos
5
SSP/PR, 2018

Aprendizagem e trabalho formal

Em fevereiro de 2019, as empresas de Palmeira tinham potencial para 166 vagas do Programa Jovem Aprendiz, e 58 estavam preenchidas. A RAIS de 2019 registra 58 contratos formais de adolescentes de 14 a 17 anos, 2,3% dessa população: 82,8% pela CLT e 17,2% (10) como aprendizes. 72,5% dos contratados tinham 17 anos, 77,6% eram do sexo masculino e 58,6% trabalhavam no comércio.

vagas potenciais do Programa Jovem Aprendiz preenchidas
58 de 166
Secretaria de Inspeção do Trabalho, com base na RAIS e no CAGED, 2019
dos adolescentes de 14 a 17 anos têm contrato formal: 58 contratos
2,3%
RAIS, 2019; IBGE, Censo 2010
dos 58 adolescentes contratados eram aprendizes, 17,2%
10
RAIS, 2019
dos adolescentes contratados trabalhavam no comércio atacadista ou varejista
58,6%
RAIS, 2019

Pesquisa lúdica com crianças do 1º e 2º ano

Em junho de 2022, 685 crianças do 1º e 2º ano da rede municipal participaram de uma dinâmica em grupo sobre profissões e trabalho. 14,6% (100) estavam em situação irregular de trabalho: 66 para a família e 34 na rua ou para terceiros. A coleta de materiais reciclados é a atividade mais citada (30 casos, 22 deles na rua), seguida dos afazeres domésticos (21) e do cuidado de crianças (19). Só 22,9% fazem alguma atividade esportiva ou cultural, e apenas 21 delas estudam em escolas rurais.

das 685 crianças em situação irregular de trabalho, 66 para a família e 34 na rua ou para terceiros
14,6%
Pesquisa lúdica com crianças, 2022
crianças na coleta de materiais reciclados, 22 delas na rua: 4,4% da amostra
30
Pesquisa lúdica com crianças, 2022
fazem atividade esportiva ou cultural; só 21 das 157 estudam em escolas rurais
22,9%
Pesquisa lúdica com crianças, 2022
não conversam sobre o futuro em casa
34,2%
Pesquisa lúdica com crianças, 2022

O que disseram
crianças e adolescentes

A pesquisa quantitativa, de modalidade censitária, ouviu 3.624 crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, do 3º ano do ensino fundamental à 3ª série do ensino médio, em todas as escolas públicas das redes estadual e municipal de Palmeira, de 22 de março a 18 de abril de 2022. Todos os alunos presentes no dia responderam a um questionário estruturado em meio digital, de forma presencial e individual, sem a presença de familiares, amigos ou conhecidos, acompanhados por pesquisadores identificados e treinados.

Com critérios de idade, tempo, frequência e local definidos pela Comissão de Acompanhamento e pela equipe técnica, cada situação foi classificada como atividade de cunho socializador, trabalho regular ou trabalho irregular, e o trabalho irregular, como passível de regularização ou proibido pela legislação. Em junho de 2022, uma segunda etapa ouviu 685 crianças do 1º e 2º ano do ensino fundamental em uma pesquisa lúdica em grupo, com imagens e vídeos sobre profissões; nessa idade, toda situação de trabalho é irregular.

O que a pesquisa encontrou

  1. 96,4% dos entrevistados realizam alguma atividade: 57,5% (2.083) atividades de cunho socializador, como ajudar nas tarefas da casa, 35,7% (1.294) estão em situação irregular de trabalho e 3,2% (115) trabalham de forma regular. Só 3,6% (132) não realizam nenhuma atividade.

  2. Dos 1.294 em situação irregular, 975 (26,9% da amostra) estão em situações passíveis de regularização e 319 (8,8%) em atividades proibidas pela legislação, sobretudo coleta de material reciclável (3,3%), exploração sexual comercial (2,8%) e tráfico de drogas (2,6%).

  3. As atividades irregulares mais citadas são cozinhar (14,6% dos entrevistados), afazeres domésticos (12,0%), cuidar de crianças (7,3%) e trabalho rural (4,5%). Dos que estão em situação irregular, 66,4% (859) têm de 7 a 13 anos, idade em que qualquer forma de trabalho é proibida.

  4. A Zona Rural II tem o maior percentual de entrevistados em situação irregular de trabalho (40,3%), e a Colônia Francesa, o menor (25,2%). Em São José e Regina Vitória, 12,3% realizam atividades proibidas, ante 8,8% no município.

  5. Entre os 1.356 entrevistados de 14 anos ou mais, 14,7% são ou já foram jovens aprendizes. Dos que nunca participaram, 30,5% já tentaram uma vaga sem conseguir e 10,6% nunca ouviram falar do programa.

  6. 74,4% não fazem nenhuma atividade no contraturno escolar, e 72,8% passam esse tempo em casa. 75,8% gostariam de fazer alguma atividade, sobretudo esportes (59,7%), cursos de idiomas (26,3%) e cursos profissionalizantes (22,0%).

Fonte: Volume único, pesquisa quantitativa de março e abril de 2022.

Considerações
e recomendações

A pesquisa quantitativa encontra 35,7% dos entrevistados em situação irregular de trabalho, 66,4% deles de 7 a 13 anos, e 8,8% em circunstâncias proibidas, com fortes indícios de trabalho infantil. As maiores incidências estão nas atividades de cozinhar e nos afazeres domésticos, e as regiões com mais indicadores acima da média são a Vila Rosa, com 8 dos 12, São José e Regina Vitória, com 7, e Jardim Christine, com 6.

A pesquisa lúdica encontra 14,6% das crianças do 1º e 2º ano em situação irregular, sobretudo na coleta de materiais reciclados, e aponta a falta de atividades de contraturno nas comunidades rurais e a necessidade de capacitar os professores, alguns dos quais ainda veem o trabalho infantil como algo positivo.

O que o diagnóstico recomenda

Fonte: Volume único, Considerações finais e Recomendações.

Perguntas
frequentes

Quem fez o diagnóstico do trabalho infantil de Palmeira?

A Painel Pesquisas e Consultoria, seguindo o Edital de Tomada de Preços nº 003/2019-SEMAS. O diagnóstico de Palmeira, no Paraná, foi uma iniciativa da Secretaria Municipal de Assistência Social, adquirido com recursos do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) e acompanhado por uma comissão com representantes da gestão, dos conselhos, do CRAS, do CREAS e da educação. Começou em 2019, e o volume único foi publicado em 2022.

Quantas crianças e adolescentes de Palmeira estão em situação irregular de trabalho?

Na pesquisa de 2022, 1.294 dos 3.624 entrevistados de 7 a 17 anos, ou 35,7%, estavam em situação irregular de trabalho em Palmeira. Para 975 deles (26,9% da amostra), a situação é passível de regularização; 319 (8,8%) realizavam atividades proibidas pela legislação. As atividades irregulares mais citadas são cozinhar, afazeres domésticos, cuidar de crianças e trabalho rural. Entre as 685 crianças do 1º e 2º ano, 14,6% estavam em situação irregular.

Quais regiões de Palmeira são prioritárias no enfrentamento do trabalho infantil?

No mapa social das atividades de trabalho irregular de Palmeira, a Vila Rosa fica acima da média do município em 8 dos 12 indicadores, São José e Regina Vitória em 7 e Jardim Christine em 6: são as regiões que pedem maior atenção do gestor público. São José e Regina Vitória tem também o maior percentual de entrevistados em atividades proibidas (12,3%), e a Zona Rural II, o maior percentual em situação irregular (40,3%).

Como foi feita a pesquisa com crianças e adolescentes de Palmeira?

Em duas etapas, nas escolas públicas de Palmeira. De 22 de março a 18 de abril de 2022, 3.624 alunos do 3º ano do ensino fundamental à 3ª série do ensino médio responderam a um questionário digital, de forma presencial e individual, sem a presença de familiares. Em junho de 2022, 685 crianças do 1º e 2º ano participaram de uma pesquisa lúdica em grupo, com imagens e vídeos sobre profissões. Ao todo, foram 4.309 questionários.

O que o diagnóstico recomenda a Palmeira?

O diagnóstico de Palmeira recomenda manter o grupo intersetorial com o CMDCA para levar crianças e adolescentes expostos ao trabalho infantil a atividades culturais, esportivas e profissionalizantes, fortalecer o Fundo da Infância e Adolescência, capacitar a rede de atendimento, ampliar as vagas e a fiscalização da aprendizagem, propor uma lei municipal de contratação de aprendizes e atualizar periodicamente os dados do diagnóstico.

Idealização

Município de Palmeira

Realização

Painel Pesquisas e Consultoria

Um diagnóstico assim
para o seu município

Conte qual público e quais territórios a sua gestão precisa conhecer. Definimos juntos a divisão territorial, as pesquisas e os relatórios da entrega.

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