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Painel Pesquisas e Consultoria
Nossos projetos

2009 — 2010 · Infância e adolescência

Joinville/SC — Diagnóstico Social da Criança e do Adolescente

A Painel Pesquisas e Consultoria realizou o primeiro diagnóstico social da criança e do adolescente de Joinville, idealizado pelo CMDCA com a Secretaria de Assistência Social e a Prefeitura. Publicados entre 2009 e 2010, os sete volumes comparam 62 indicadores entre as 16 regiões administrativas, analisam a rede que atendeu 12.798 crianças e adolescentes em 2008 e ouvem 497 adolescentes e jovens e 465 pais.

Centro de Joinville visto do alto, com a Catedral de São Francisco Xavier e a avenida arborizada ao lado
Joinville · SC

62 indicadores em 16 regiões.
497 adolescentes e jovens ouvidos.

Iniciativa
CMDCA, Secretaria de Assistência Social e Prefeitura de Joinville
Período
2009 a 2010
Regiões
16 regiões administrativas, 2 delas rurais
Indicadores
62 por região, em 6 eixos
Relatórios
7 volumes, 599 páginas
Pessoas ouvidas
497 adolescentes e jovens, 465 pais e 3 grupos focais

Sobre o
diagnóstico

O Diagnóstico Social da Criança e do Adolescente é o primeiro realizado em Joinville. Foi idealizado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), com a Secretaria de Assistência Social e a Prefeitura de Joinville, a partir de experiências de São Paulo, Rio de Janeiro, Bogotá e Barcelona, e custeado pelo Fundo para a Infância e a Adolescência (FIA), formado por parte do imposto de renda de pessoas e empresas do município. A primeira etapa, o Volume 1, foi entregue em dezembro de 2009; a segunda foi licitada e contratada e trouxe os outros seis volumes em 2010.

Seu objetivo é aproximar o poder público e a sociedade da realidade das comunidades onde vivem as crianças e os adolescentes e oferecer uma ferramenta para acompanhar a evolução dos indicadores ligados aos direitos fundamentais do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), além do perfil socioeconômico da população.

Os Volumes 1 e 2 calculam os indicadores para 44 unidades geográficas da área urbana e para as 16 regiões administrativas. O Volume 3 reúne os registros das instituições e programas que atendem crianças e adolescentes. Os Volumes 4 e 5 trazem as pesquisas de percepção com adolescentes e jovens e com pais, o Volume 6 os grupos focais, e o Volume 7 a análise conclusiva e propositiva, escrita por pesquisadoras do Núcleo de Estudos Jurídicos e Sociais da Criança e do Adolescente da Universidade Federal de Santa Catarina (NEJUSCA/UFSC).

O município
de Joinville

Joinville é o maior município de Santa Catarina. Cidade industrial, atraiu nas décadas de 1980 e 1990 trabalhadores de outras regiões do estado e do país, e pouco mais da metade da população nasceu no município.

habitantes
492.101
IPPUJ, 2008
habitantes por km², em 1.154 km²
426
IPPUJ, 2008
crianças e adolescentes de 0 a 17 anos
167.772
Projeção do IBGE para 2008
da população é natural de Joinville
52,56%
IBGE, Censo 2000
rendimento mediano dos responsáveis por domicílio
R$ 580
IBGE, Censo 2000
dos domicílios particulares são próprios; 11,82% são alugados
83,44%
IBGE, Censo 2000

Como foi
feito

O Volume 2 divide o município em 16 regiões administrativas: as 14 Secretarias Administrativas Regionais, que cobrem a área urbana, e as zonas rurais do Distrito Sede e do Distrito de Pirabeiraba. Núcleos urbanos isolados na área rural foram somados às regiões vizinhas, como o Morro do Amaral ao Paranaguamirim e a Estrada Cubatão e o Vigorelli ao Jardim Paraíso. O Volume 1 usa 44 unidades geográficas da área urbana: 41 bairros, 2 zonas industriais e 1 zona de empreendedorismo. Esta página segue as regiões administrativas, que cobrem todo o município.

Os indicadores partem dos dados de 2008 da Secretaria de Assistência Social, da Vara da Infância e da Juventude, da Delegacia da Mulher, da Secretaria Municipal da Saúde, das secretarias municipal e estadual de Educação e dos Conselhos Tutelares, e do Censo Demográfico de 2000 do IBGE. Os endereços foram conferidos com a lista de ruas do Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (IPPUJ), os CEPs e o Censo Saúde, para evitar registros duplicados e incompletos.

Cada indicador dos cinco direitos do ECA é classificado em ótimo, bom, ruim ou péssimo, por quartis, com o software PRADIN 3.0; os do perfil socioeconômico são lidos pela posição em relação à mediana. A população de 2008 por faixa etária foi projetada pela estimativa de crescimento do IBGE, e os totais por região somam a população por bairro do IPPUJ.

Conheça o método da Painel

As 16 regiões do diagnóstico

RegiãoBairros e localidadesSituaçãoPopulação (2008)De 0 a 17 anos
Região 1Aventureiro.Urbana34.91712.753
Região 2Boa Vista; Zona Industrial Tupy; Espinheiros; Comasa (parte).Urbana34.85012.313
Região 3Boehmerwald; Santa Catarina; Profipo; Parque Guarani; Itinga.Urbana44.16716.388
Região 4Centro; Anita Garibaldi; Atiradores; América; Bucarein.Urbana34.5278.073
Região 5Jardim Iririú; Comasa (parte); Iririú (parte).Urbana46.18715.753
Região 6Costa e Silva; Glória; Santo Antônio; Zona Industrial Norte (parte).Urbana39.75311.529
Região 7Fátima; Adhemar Garcia; Jarivatuba; João Costa.Urbana47.40517.802
Região 8Nova Brasília; Morro do Meio; São Marcos.Urbana24.2108.803
Região 9Saguaçu; Bom Retiro; Iririú (parte).Urbana32.8559.118
Região 10Itaum; Floresta; Petrópolis; Guanabara.Urbana53.86616.671
Região 11Jardim Paraíso; Jardim Sofia; Vila Cubatão; Zona Industrial Norte (parte); Cubatão; Estrada da Ilha; Vigorelli.Urbana21.9069.173
Região 12Paranaguamirim; Ulysses Guimarães; Paranaguamirim II; Morro do Amaral.Urbana30.30912.788
Região 13Pirabeiraba Centro; Dona Francisca; Rio Bonito; Zona Industrial Norte (parte).Urbana10.7753.676
Região 14Vila Nova; Zona Industrial Norte (parte).Urbana20.6607.430
Região 15Zona Rural Joinville (Distrito Sede)Rural7.4592.525
Região 16Zona Rural Pirabeiraba (Distrito de Pirabeiraba)Rural8.2552.978

Fonte da população: IPPUJ, população residente por bairro, 2008; de 0 a 17 anos, projeção do IBGE para 2008.

Rede de atendimento do município, 2008

  • Secretaria de Assistência Social: abrigamento, PETI e programas
  • Instituições governamentais e não governamentais que atendem crianças e adolescentes
  • Conselhos Tutelares das Regiões Norte e Sul (SIPIA)
  • Delegacia de Proteção à Mulher, Criança, Adolescente e Idoso
  • Vara da Infância e Juventude
  • Secretaria Municipal da Saúde: SINASC, SIM e SIH
  • Secretaria Municipal de Educação e Secretaria de Estado da Educação (Censo Escolar)
  • Companhia Águas de Joinville
  • IPPUJ: população por bairro e áreas de lazer

Bases oficiais

  • Censo Demográfico do IBGE, 2000 (agregados por setor censitário e microdados)
  • Estimativa de crescimento da população do IBGE, 2000 a 2008

Os resultados
em números

O Volume 2 calcula 62 indicadores para cada uma das 16 regiões administrativas: 8 do perfil socioeconômico e 54 dos cinco direitos fundamentais do ECA, cada um com a média do município e a classe de cada região. O relatório não reúne os indicadores numa matriz nem num ranking; os temas abaixo trazem as regiões que se destacam em cada direito, os registros da rede de atendimento e a saúde mental.

indicadores comparados entre as 16 regiões administrativas, em seis eixos
62
Volume 2, 2010
das unidades prediais ligadas à rede de esgoto; 12 das 16 regiões sem nenhuma ligação
15,07%
Companhia Águas de Joinville, 2008
dos adolescentes de 15 a 17 anos do Paranaguamirim frequentam a EJA; 18,98% no município
39,70%
Secretaria Municipal de Educação e Secretaria de Estado da Educação, 2008
crianças e adolescentes abrigados no ano: 116 de 0 a 11 anos e 182 de 12 a 17
298
Secretaria de Assistência Social, 2008
das violações registradas pelos Conselhos Tutelares tiveram a família como agente
62,4%
Conselhos Tutelares de Joinville, 2008
adolescentes e jovens de 12 a 21 anos ouvidos na pesquisa de percepção, além de 465 pais
497
Volumes 4 e 5, pesquisas de percepção, 2010

Os resultados
por direito

Perfil socioeconômico

Pelo Censo de 2000, a renda mediana dos responsáveis por domicílio era de R$ 580, de R$ 400 nas duas zonas rurais e R$ 423 no Paranaguamirim a R$ 1.660 no Centro. A média de anos de estudo dos responsáveis ia de 5,12 na Zona Rural Pirabeiraba e 5,88 no Jardim Paraíso a 11,40 no Centro. A taxa de dependência jovem, a razão entre os moradores de 0 a 14 anos e os de 15 a 64, passava de 58% no Jardim Paraíso e no Paranaguamirim, ante 41,38% no município.

renda mediana dos responsáveis por domicílio no Paranaguamirim; R$ 1.660 no Centro e R$ 580 no município
R$ 423
IBGE, Censo 2000
anos de estudo, em média, dos responsáveis no Jardim Paraíso; 11,40 no Centro e 7,02 no município
5,88
IBGE, Censo 2000
taxa de dependência jovem no Paranaguamirim, ante 41,38% no município
60,34%
IBGE, Censo 2000
habitantes por km² na Região Comasa, a mais densa; 426 no município
5.512
IPPUJ, 2008

Direito à vida e saúde

Em 2008, só 15,07% das unidades prediais do município tinham ligação com a rede de esgoto, e o serviço chegava a quatro regiões: Centro (74,01%), Itaum (22,95%), Fátima (15,11%) e Costa e Silva (0,54%). A mortalidade infantil foi de 10,06 por mil nascidos vivos, com 16,30 na Vila Nova e 16,17 no Fátima. 27,23% dos nascidos vivos tiveram mães com menos de sete consultas de pré-natal, e 1,90% das adolescentes de 12 a 17 anos tiveram filhos, 4,10% no Paranaguamirim e 3,93% no Jardim Paraíso.

óbitos de menores de 1 ano por mil nascidos vivos; 16,30 na Vila Nova
10,06
Secretaria Municipal da Saúde, SIM e SINASC, 2008
dos nascidos vivos do Paranaguamirim com menos de 7 consultas de pré-natal; 27,23% no município
38,23%
Secretaria Municipal da Saúde, SINASC, 2008
das adolescentes de 12 a 17 anos do Paranaguamirim tiveram filhos; 1,90% no município
4,10%
Secretaria Municipal da Saúde, SINASC, 2008
dos domicílios da Zona Rural Pirabeiraba sem água da rede geral, serviço não obrigatório na zona rural; 5,60% no município
82,82%
IBGE, Censo 2000

Direito à educação, cultura, esporte e lazer

Pelo Censo de 2000, 2,48% das crianças de 7 a 14 anos e 19,19% dos adolescentes de 15 a 17 anos estavam fora da escola, 36,67% no Jardim Paraíso. Em 2008, 18,98% dos adolescentes de 15 a 17 anos frequentavam a EJA, 39,70% no Paranaguamirim, e o abandono no ensino médio foi de 5,80%, 15,51% na Vila Nova. Só 8,85% das crianças de 0 a 3 anos iam à creche em 2000, e o município tinha 0,54 praça ou área de lazer por mil crianças e adolescentes, 0,08 no Paranaguamirim e nenhuma nas zonas rurais.

dos adolescentes de 15 a 17 anos fora da escola; 36,67% no Jardim Paraíso
19,19%
IBGE, Censo 2000
de abandono no ensino médio na Vila Nova; 5,80% no município
15,51%
Secretaria Municipal de Educação e Secretaria de Estado da Educação, 2008
das crianças de 0 a 3 anos frequentam creche; 1,02% na Zona Rural Pirabeiraba
8,85%
IBGE, Censo 2000
bairros sem oferta de ensino médio na rede pública
17
Volume 3, Secretarias de Educação, 2008

Direito à convivência familiar e comunitária

Em 2008, 116 crianças e 182 adolescentes passaram por abrigos em Joinville: 1,05 por mil crianças de 0 a 11 anos e 3,17 por mil adolescentes de 12 a 17. Entre os adolescentes, a taxa chegou a 6,24 no Paranaguamirim, 5,76 no Itaum e 5,67 na Nova Brasília. Pelo Censo de 2000, 6,95% dos responsáveis por domicílio ganhavam até um salário mínimo, 16,52% na Zona Rural Joinville, e 3,34% dos domicílios tinham quatro ou mais pessoas por dormitório, 7,97% no Paranaguamirim.

adolescentes abrigados por mil de 12 a 17 anos no Paranaguamirim; 3,17 no município
6,24
Secretaria de Assistência Social, 2008
dos responsáveis por domicílio da Zona Rural Joinville ganham até 1 salário mínimo; 6,95% no município
16,52%
IBGE, Censo 2000
dos domicílios do Paranaguamirim com 4 ou mais pessoas por dormitório; 3,34% no município
7,97%
IBGE, Censo 2000
casos de violação da convivência familiar e comunitária nos Conselhos Tutelares por mil crianças e adolescentes no Fátima; 10,79 no município
23,87
Conselhos Tutelares de Joinville, 2008

Direito à liberdade, respeito e dignidade

Em 2008, a Delegacia da Mulher registrou 250 crianças e adolescentes vítimas de violência física, 230 de violência psicológica, 104 de violência sexual e 40 de negligência: 1,49, 1,37, 0,62 e 0,24 por mil moradores de 0 a 17 anos. As maiores taxas de violência sexual ficaram em Pirabeiraba (2,45) e na Zona Rural Pirabeiraba (2,35), e as de violência física na Vila Nova (2,56) e no Paranaguamirim (2,42). 665 adolescentes se envolveram em atos infracionais, 11,59 por mil de 12 a 17 anos, e o Paranaguamirim teve as maiores taxas de medidas socioeducativas aplicadas (18,72 por mil) e de reincidência (5,11).

crianças e adolescentes vítimas de violência física; 2,56 por mil na Vila Nova
250
IPPUJ e Delegacia da Mulher, 2008
vítimas de violência sexual por mil crianças e adolescentes em Pirabeiraba; 0,62 no município
2,45
IPPUJ e Delegacia da Mulher, 2008
adolescentes envolvidos em atos infracionais por mil de 12 a 17 anos na Zona Rural Pirabeiraba; 11,59 no município
20,09
IPPUJ, Delegacia da Mulher e Vara da Infância e Juventude, 2008
óbitos por mil moradores de 10 a 17 anos no Jardim Paraíso; 0,35 no município
1,36
IPPUJ e Secretaria Municipal da Saúde (SIM), 2008

Direito à profissionalização e proteção no trabalho

Pelo Censo de 2000, 853 crianças e adolescentes de 10 a 14 anos trabalhavam, 20,09 por mil; a taxa chegava a 46,38 no Paranaguamirim e 44,56 no Aventureiro, e era nula nas duas zonas rurais. 20,51% dos adolescentes de 15 a 17 anos procuravam trabalho, 29,58% no Aventureiro. Em 2008, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) atendia 395 crianças e adolescentes de 7 a 16 anos, 4,18 por mil, com 11,99 no Jardim Paraíso e 10,66 no Paranaguamirim.

crianças e adolescentes de 10 a 14 anos trabalhavam, 20,09 por mil; 46,38 no Paranaguamirim
853
IBGE, Censo 2000
dos adolescentes de 15 a 17 anos procuravam trabalho; 29,58% no Aventureiro
20,51%
IBGE, Censo 2000
crianças e adolescentes de 7 a 16 anos no PETI; 11,99 por mil no Jardim Paraíso
395
Secretaria de Assistência Social, 2008

A rede de atendimento

O Volume 3 reuniu os cadastros de 2008 das instituições e programas: 12.798 crianças e adolescentes atendidos, 4.558 na Proteção Social Básica, por meio de 22 instituições, 2.320 na Proteção Social Especial de média e alta complexidade e 5.920 em instituições sem classificação no SUAS, quase todos na Fundação de Esportes, Lazer e Eventos de Joinville (FELEJ). As instituições se concentram na região central, longe da zona leste, onde vive a maior parte das famílias em situação fragilizada, e só 493 crianças e adolescentes estavam inscritos no Programa de Geração de Renda.

crianças e adolescentes atendidos pelas instituições e programas da rede
12.798
Volume 3, cadastros das instituições e programas, 2008
dos atendidos na Proteção Social Básica; 18,1% na Proteção Social Especial de média e alta complexidade
35,6%
Volume 3, cadastros das instituições e programas, 2008
crianças e adolescentes inscritos em mais de uma instituição
1.921
Volume 3, cadastros das instituições e programas, 2008
dos atendidos sem registro do tempo de permanência na instituição ou no programa
79,1%
Volume 3, cadastros das instituições e programas, 2008

Conselhos Tutelares e Delegacia

Em 2008, o Conselho Tutelar da Região Sul atendeu 3.015 casos e o da Região Norte, 1.378. A família foi o agente violador em 62,4% dos casos, o Estado em 17,7% e crianças e adolescentes em 15,5%, e as violações se concentraram até os 11 anos (2.556 casos). A Delegacia de Proteção à Mulher, Criança, Adolescente e Idoso registrou 640 crimes contra 568 crianças e adolescentes, 334 delas meninas, e 871 atos infracionais, dos quais 8 homicídios.

casos atendidos pelo Conselho Tutelar da Região Sul; 1.378 pelo da Região Norte
3.015
Conselhos Tutelares de Joinville, 2008
crianças e adolescentes vítimas de 640 crimes registrados
568
Delegacia de Proteção à Mulher, Criança, Adolescente e Idoso, 2008
homicídios entre os 871 atos infracionais registrados
8
Delegacia de Proteção à Mulher, Criança, Adolescente e Idoso e Vara da Infância e Juventude, 2008

Saúde mental e dependência química

Em 2008, o Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e outras Drogas (CAPS-AD) teve 72 registros de adolescentes e jovens de 14 a 21 anos, 60 do sexo masculino. Entre as 119 substâncias usadas pelos que procuraram o serviço, o crack aparece em 38 casos (31,9%), o álcool em 35 (29,4%) e a maconha em 29 (24,4%). O Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) registrou 413 internações de crianças e adolescentes, 73,8% de meninos.

adolescentes e jovens de 14 a 21 anos registrados no CAPS-AD, 60 do sexo masculino
72
Secretaria Municipal da Saúde, CAPS-AD, 2008
das substâncias usadas pelos atendidos no CAPS-AD eram crack; 29,4% álcool
31,9%
Secretaria Municipal da Saúde, CAPS-AD, 2008
internações de crianças e adolescentes no CAPSi, 73,8% de meninos
413
Secretaria Municipal da Saúde, CAPSi, 2008

O que disseram
adolescentes, jovens e pais

A pesquisa de percepção com adolescentes e jovens ouviu 497 moradores de Joinville de 12 a 21 anos em março de 2010, com um questionário de 40 perguntas elaborado com a comissão de acompanhamento do CMDCA e testado em pesquisa-piloto. A amostra, estratificada por sexo, idade e bairro conforme a população estimada pelo IBGE para 2008, tem erro máximo de 4,38% com 95% de confiança: 161 entrevistados de 12 a 14 anos, 182 de 15 a 17 e 154 de 18 a 21.

A pesquisa com pais de crianças, adolescentes e jovens de 0 a 21 anos, entre março e abril de 2010, ouviu 465 pais, um por domicílio, com 33 perguntas e amostra estratificada por bairro, com erro máximo de 4,54% e 95% de confiança. Nas duas, todos os questionários passaram por controle de qualidade e 20% foram confirmados por telefone. Em maio de 2010, três grupos focais com participantes escolhidos nas duas amostras debateram família, escola e sociedade, política e cidadania e espiritualidade.

Grupos focais

Pais e mães de crianças e adolescentes
7
participantes, em 28 de maio de 2010
Adolescentes e jovens de 15 a 21 anos, do sexo feminino
8
participantes, em 29 de maio de 2010
Adolescentes e jovens de 15 a 21 anos, do sexo masculino
11
participantes, em 29 de maio de 2010

O que a pesquisa encontrou

  1. 85,2% dos adolescentes e jovens consideram ótimo ou bom o relacionamento com a família e 76,1% têm os pais como exemplo de vida; para 58,8%, o lugar onde se sentem melhor é a própria casa.

  2. Assistir à TV é hábito diário de 76,1%, e 49,3% acessam a internet todos os dias; só 20% praticam esporte diariamente, quase 70% não têm o hábito de ler e 29% frequentam bibliotecas.

  3. Apenas 50% frequentam parques e praças, e a maioria pede praças, parques e quadras de esporte como melhoria para o bairro onde mora.

  4. 86,4% dos adolescentes e jovens disseram já ter usado álcool e 20,6% maconha, embora 86,5% se declarem contra o uso da maconha; 97,2% conhecem os métodos contraceptivos.

  5. Entre os pais, 57,4% não nasceram em Joinville, 44,3% ganham de 1 a 3 salários mínimos e 75,8% acompanham as tarefas escolares dos filhos, 51,5% deles todos os dias.

  6. 60,4% dos pais conversam com os filhos sobre sexualidade e 91,6% apoiam a educação sexual na escola; a falta de tempo (21,1%) e a influência dos amigos (20,6%) são as dificuldades mais citadas na educação dos filhos.

Fonte: Volumes 4, 5 e 6, pesquisas de percepção e grupos focais de março a maio de 2010.

Considerações
e recomendações

A análise conclusiva aponta que o perfil socioeconômico pesa sobre todos os outros eixos: a baixa renda e a baixa escolaridade dos responsáveis reproduzem o ciclo de pobreza, e a zona leste é a parte do município que mais precisa da atenção do poder público. Os bairros Paranaguamirim e Jardim Paraíso têm os piores índices de baixa renda, escolaridade precária e alta densidade por dormitório. Joinville fica em posição melhor que Londrina e Caxias do Sul nos indicadores gerais, mas com desigualdades dentro da cidade.

Na rede de atendimento, a análise encontrou cadastros sem filiação, endereço ou datas de entrada e saída, instituições concentradas na região central, longe das famílias que mais precisam delas, e uma instituição cofinanciada pelo poder público, a Associação de Reabilitação de Crianças Deficientes de Joinville (ARCD), que se negou a enviar dados.

O que o diagnóstico recomenda

Fonte: Volume 7, Análise conclusiva e propositiva, 2010.

Perguntas
frequentes

Quem fez o diagnóstico social da criança e do adolescente de Joinville?

A Painel Pesquisas e Consultoria, que realizou os sete volumes entre 2009 e 2010. O diagnóstico foi idealizado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Joinville, com a Secretaria de Assistência Social e a Prefeitura, e custeado pelo Fundo para a Infância e a Adolescência (FIA). A análise conclusiva e propositiva do Volume 7 foi escrita por pesquisadoras do NEJUSCA, da Universidade Federal de Santa Catarina.

Quais regiões de Joinville concentram os piores indicadores?

A análise conclusiva aponta a zona leste como a que mais precisa da atenção do poder público. No Volume 2, a Região Paranaguamirim tem a maior gravidez na adolescência (4,10% das adolescentes de 12 a 17 anos), a maior proporção de adolescentes na EJA (39,70%) e a maior taxa de trabalho infantil (46,38 por mil). O Jardim Paraíso tem mais adolescentes fora da escola (36,67%), e as zonas rurais, a menor renda e a menor escolaridade dos responsáveis.

De onde vêm os dados do diagnóstico de Joinville?

Dos registros de 2008 da rede de atendimento de Joinville: Secretaria de Assistência Social, Conselhos Tutelares, Delegacia da Mulher, Vara da Infância e Juventude, Secretaria Municipal da Saúde, secretarias municipal e estadual de Educação e Companhia Águas de Joinville. O perfil da população e vários indicadores vêm do Censo Demográfico de 2000 do IBGE, e a população por região, do IPPUJ e da projeção do IBGE para 2008.

Quantas pessoas foram ouvidas no diagnóstico de Joinville?

As pesquisas de percepção de 2010 ouviram 497 adolescentes e jovens de 12 a 21 anos, com erro amostral de 4,38%, e 465 pais de crianças, adolescentes e jovens, com erro de 4,54%, ambas com 95% de confiança e amostras estratificadas por bairro. Em maio de 2010, três grupos focais reuniram 7 pais e mães, 8 adolescentes e jovens do sexo feminino e 11 do sexo masculino, de 15 a 21 anos.

O que o diagnóstico recomenda para Joinville?

Que o poder público fixe metas para os dez indicadores que mais comprometem a vida de crianças e adolescentes, das violências à gravidez na adolescência, à EJA, ao esgoto, às praças e às creches, e que uma lei municipal crie um grupo de trabalho para acompanhá-los todo ano. Recomenda ainda geração de renda na zona leste, reforço escolar, mais ensino médio público, a reestruturação dos Conselhos Tutelares e cadastros organizados na rede.

Idealização

Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Joinville (CMDCA)Secretaria de Assistência SocialPrefeitura de Joinville

Realização

Painel Pesquisas e Consultoria

Um diagnóstico assim
para o seu município

Conte qual público e quais territórios a sua gestão precisa conhecer. Definimos juntos a divisão territorial, as pesquisas e os relatórios da entrega.

Conversar sobre o diagnóstico

Conte pelo WhatsApp seu município, o público do diagnóstico e os temas de interesse.