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Painel Pesquisas e Consultoria
Nossos projetos

2020 — 2021 · Infância e adolescência

Belo Vale/MG — Diagnóstico Social com Foco na Identificação do Trabalho Infantil

A Painel Pesquisas e Consultoria realizou o primeiro diagnóstico social de Belo Vale com foco na identificação do trabalho infantil, idealizado pela Prefeitura Municipal de Belo Vale. Publicado em maio de 2021, o volume único ouve 416 crianças e adolescentes de 9 a 17 anos, encontra 40,1% deles em situação irregular de trabalho e compara as cinco regiões do município em dois mapas sociais.

Casa-sede da Fazenda Boa Esperança, casarão colonial do século XVIII tombado pelo patrimônio histórico em Belo Vale
Belo Vale · MG

24 indicadores em cinco regiões.
416 crianças e adolescentes ouvidos.

Iniciativa
Prefeitura de Belo Vale, com apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social e do CRAS
Período
2020 a 2021
Regiões
5, sendo 4 rurais
Indicadores
24 por região, em 2 mapas sociais
Relatórios
1 volume, 112 páginas
Pessoas ouvidas
416 crianças e adolescentes de 9 a 17 anos

Sobre o
diagnóstico

O Diagnóstico Social com Foco na Identificação do Trabalho Infantil é o primeiro realizado em Belo Vale. Nasceu da necessidade do município de conhecer o trabalho irregular de crianças e adolescentes, foi idealizado pela Prefeitura Municipal de Belo Vale, com apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social e do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), e seguiu as orientações do Edital Pregão Presencial nº 072/2018.

Seu objetivo é subsidiar as instâncias governamentais e não governamentais na formulação e na execução das políticas públicas para a infância e a adolescência, com indicadores por território que identificam o número e o perfil das crianças e adolescentes sujeitos ao trabalho infantil e os principais tipos de trabalho. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e as Orientações Técnicas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), de 2018, guiaram a sua construção.

O volume único reúne os dados gerais do município, o perfil socioeconômico das cinco regiões com o seu mapa social, o mapeamento da rede de atendimento, as demandas sociais organizadas pelos direitos do ECA, os dados gerais sobre o trabalho infantil, a pesquisa de percepção com crianças e adolescentes, o mapa social das situações de trabalho irregular, as considerações finais e as recomendações.

O município
de Belo Vale

Belo Vale fica na região central de Minas Gerais, a cerca de 110 km de Belo Horizonte, em uma área de 365 km², dos quais 5 km² são área urbana. Fundado por bandeirantes em 1681, foi um dos primeiros arraiais de Minas Gerais e tornou-se município em 1938.

habitantes, na estimativa da população
7.719
IBGE, 2020
da população vive na zona rural, ante 14,7% em Minas Gerais
56,3%
IBGE, Censo 2010
da população tem de 0 a 17 anos
25,5%
IBGE, Censo 2010
IDHM, faixa média: 515º entre os 853 municípios de Minas Gerais
0,655
Atlas Brasil, 2010
índice de Gini, ante 0,50 em 2000
0,46
Atlas Brasil, 2010

Como foi
feito

Com a Comissão de Acompanhamento do diagnóstico, formada por representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), do Conselho Tutelar e das Secretarias Municipais de Assistência Social, Educação e Saúde, Belo Vale foi dividida em cinco regiões de perfil demográfico e socioeconômico homogêneo, formadas por bairros e localidades e respeitando os setores censitários do IBGE: a área urbana e quatro regiões rurais.

Cada indicador é calculado sobre a população ou a amostra da região, em percentual ou em taxa, comparado com a média do município e classificado por tercis em baixo, médio e alto. Os dados da rede de atendimento e das bases oficiais cobrem sobretudo 2018 e 2019, e a população de cada região vem do Censo Demográfico de 2010. O mapeamento da rede, validado pela Comissão, reuniu 53 instituições do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA).

Os 14 indicadores do perfil socioeconômico vêm do Censo de 2010. Os 10 indicadores das situações de trabalho irregular vêm da pesquisa de percepção: cada um é o percentual dos entrevistados da região que realizam uma atividade em situação irregular.

Conheça o método da Painel

As 5 regiões do diagnóstico

RegiãoBairros e localidadesSituaçãoPopulação (2010)De 0 a 17 anos
Região 1Belo Vale UrbanaUrbana3.182852
Região 2Boa Morte; Arrojado; Fazenda Córrego da Areia; Fazenda dos Moreiras; Coqueiro de Espinho; Córrego dos Pintos; Fazenda Baú; Fazenda Terra Seca; Fazenda Lindo Vale; Fazenda Quitéria; Boa Esperança; Fazenda Chaparral; Fazenda Canavial; Fazenda Calundu; Fazenda Santa Antônio; Fazenda Eusébio; Ponte Queimada; Barra Nova.Rural930252
Região 3Itacolomi; Marinho; Fazenda dos Cordeiros; Moreira; Fazenda Garcia; Pedra; Fazenda Kacuba; Chacrinha dos Pretos; Fazenda Santa Cecilia; Fazenda Volta Grande; Fazenda Santa Cruz; Fazenda Água Fria; Paivas; Troia; Fazenda Córrego do Meio; Fazenda Belo Vale; Chácara dos Cordeiros; Gamela; Fazenda Gamela; Gavião; Fazenda Gavião; Fazenda Laranjeira; Laranjeiras; Truões; Posse; Fazenda Ipê; Fazenda do Baú de Baixo; Curral Moreira; Fazenda Mata-boi; Fazenda Vargem Grande.Rural1.009265
Região 4Roça Nova dos Bandeirantes; Zé Pinto; Boca Calada; Roças Novas de Cima; Noiva do Cordeiro.Rural809211
Região 5São Sebastião das Lajes; Fazenda Paina; Fazenda João Pinheiro; Mutuca; Massangano; Fazenda Ponte Nova; Fazenda Guedes; Vila Gameleira; Fazenda Barra dos Cordeiros; Fazenda Laje de Cima; João Alves; Santana do Paraopeba; Palmital; Fazenda Carlota; Grota; Fazenda Mariola; Fazenda Matinha; Ferrabrás; Salgado; Fazenda Santa Luiza de Aristóteles Santana; Borges; Fazenda Borges; Queirós; Fazenda Queirós; Fazenda Gaspar de Argemiro Félix; Fazenda Algodão.Rural1.606340

Fonte da população: IBGE, Censo 2010.

Rede de atendimento do município

  • Registros de atendimento do Conselho Tutelar
  • Atendimentos do PAIF, no CRAS (Registro Mensal de Atendimentos), 2019
  • Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), 2019
  • Adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa, da Secretaria Municipal de Assistência Social
  • Organizações não governamentais vinculadas ou inscritas no CMDCA

Bases oficiais

  • Censo Demográfico do IBGE, 2010 (microdados e agregados por setor censitário)
  • Cadastro Único (CadÚnico), pelo CECAD, 2021
  • Censo Escolar do INEP, 2019
  • DATASUS: SINASC, SIM, SIH e SISVAN, 2019, e SINAN, 2020
  • RAIS, 2019
  • Armazém de Dados do Sistema Integrado de Defesa Social, 2018 a 2020
  • Atlas Brasil, 2010, e PNAD Contínua do IBGE, 2016 a 2019

Os resultados
em números

O volume único calcula para cada uma das cinco regiões 14 indicadores do perfil demográfico e socioeconômico, do Censo de 2010, e 10 indicadores das situações de trabalho irregular, da pesquisa com crianças e adolescentes. Em cada mapa social, as regiões são comparadas com a média do município e classificadas por tercis em baixo, médio e alto.

dos 416 entrevistados de 9 a 17 anos estão em situação irregular de trabalho; 50,5% na Região 5
40,1%
Pesquisa com crianças e adolescentes, 2021
crianças e adolescentes, 12,0% da amostra, em atividades proibidas pela legislação, sem meios de regularização
50
Pesquisa com crianças e adolescentes, 2021
indicadores de trabalho irregular da Região 5 acima da média do município, a única de classe alta
6 de 10
Volume único, 2021
indicadores do perfil socioeconômico piores que a média nas Regiões 2 e 3, ambas rurais
11 de 14
Volume único, a partir do IBGE, Censo 2010
crianças de 10 a 13 anos ocupadas, entre 101 crianças e adolescentes de 10 a 17 anos que trabalhavam
24
IBGE, Censo 2010 (microdados)
caso de trabalho infantil registrado pelo PAIF, em cerca de 447 famílias acompanhadas, e pelo SCFV, com 75 crianças e adolescentes
Nenhum
RMA do CRAS e SCFV, 2019

Mapa social
por eixo

Escolha um eixo para ver no mapa a classe de cada uma das 5 regiões. Selecione uma região, no mapa ou na lista, para ver em quais indicadores ela fica pior que a média do município. As tabelas completas vêm logo abaixo.

Perfil demográfico e socioeconômico

14 indicadores

As Regiões 2 e 3, rurais, ficam piores que a média em 11 dos 14 indicadores e têm a classe alta, de maior prioridade para ações que melhorem as condições socioeconômicas das famílias. A Região 3 tem a menor renda per capita domiciliar (R$ 302,90) e os maiores percentuais de domicílios com renda per capita de até 1/4 de salário-mínimo (18,9%) e de pessoas de 5 anos ou mais não alfabetizadas (12,8%); a Região 1, a área urbana, tem a maior renda (R$ 552,50).

Veja a tabela completa

Município: regiões 1 a 5

Classe da região no eixo, por tercis:

  • Baixo
  • Médio
  • Alto

Fonte: Volume único, Mapa 1: divisão territorial das regiões do município, visão geral.

As tabelas completas

Perfil demográfico e socioeconômico14 indicadores
Mapa social do eixo perfil demográfico e socioeconômico em Belo Vale: o valor de cada indicador por região, a média do município, a contagem de indicadores piores que a média e a classe de cada região.
RegiãoDensidade domiciliarmoradores por domicílioRazão de dependência total (RDT)Renda per capita domiciliarR$Renda per capita domiciliar de até 1/4 SMPopulação residente com idade de 5 anos ou mais não alfabetizadaPopulação residente com idade de 0 a 17 anosPopulação residente com idade de 0 a 17 do sexo MasculinoPopulação residente com idade de 0 a 17 do sexo FemininoPopulação residente com idade de 0 a 5 anosPopulação residente com idade de 6 a 11 anosPopulação residente com idade de 12 a 17 anosRenda per capita domiciliar de até 1/8 SMResponsável adolescenteResponsáveis por domicílio não alfabetizadosPiores que a médiaClasse
Média do município3,0maior é pior55,7%maior é pior444,0menor é pior8,9%maior é pior8,0%maior é pior25,5%maior é pior13,0%maior é pior12,5%maior é pior6,6%maior é pior8,5%maior é pior10,3%maior é pior1,9%maior é pior0,4%maior é pior10,8%maior é pior
Região 5São Sebastião das Lajes, Fazenda Paina2,757,1%, pior que a média435,4, pior que a média6,0%10,5%, pior que a média21,2%11,4%9,8%4,7%6,3%10,1%1,0%0,9%, pior valor entre as regiões13,1%, pior que a média5 de 14 (35,7%)Baixo
Região 1Belo Vale Urbana3,1, pior que a média55,6%552,55,6%5,9%26,8%, pior que a média13,5%, pior que a média13,3%, pior que a média6,7%, pior que a média8,8%, pior que a média11,3%, pior valor entre as regiões1,2%0,3%7,4%7 de 14 (50,0%)Baixo
Região 4Roça Nova dos Bandeirantes, Zé Pinto3,5, pior valor entre as regiões49,3%315,7, pior que a média15,0%, pior que a média3,7%26,1%, pior que a média12,6%13,5%, pior que a média6,7%, pior que a média10,6%, pior valor entre as regiões8,8%4,7%, pior valor entre as regiões0,9%, pior valor entre as regiões3,8%9 de 14 (64,3%)Médio
Região 2Boa Morte, Arrojado3,2, pior que a média51,5%352,7, pior que a média10,5%, pior que a média9,0%, pior que a média27,1%, pior valor entre as regiões13,1%, pior que a média14,0%, pior valor entre as regiões7,3%, pior que a média9,5%, pior que a média10,3%2,4%, pior que a médianenhum registro16,7%, pior que a média11 de 14 (78,6%)Alto
Região 3Itacolomi, Marinho3,1, pior que a média63,5%, pior valor entre as regiões302,9, pior valor entre as regiões18,9%, pior valor entre as regiões12,8%, pior valor entre as regiões26,3%, pior que a média13,8%, pior valor entre as regiões12,5%8,6%, pior valor entre as regiões8,7%, pior que a média8,9%3,4%, pior que a médianenhum registro17,4%, pior valor entre as regiões11 de 14 (78,6%)Alto

Fontes: IBGE, Censo 2010.

Situações de trabalho irregular10 indicadores
Mapa social do eixo situações de trabalho irregular em Belo Vale: o valor de cada indicador por região, a média do município, a contagem de indicadores piores que a média e a classe de cada região.
RegiãoAfazeres domésticos em situação irregular de trabalhoCuidador de crianças ou outras pessoas em situação irregular de trabalhoTrabalhos manuais e artesanato em situação irregular de trabalhoAtividade rural em situação irregular de trabalhoColeta de material reciclável em situação irregular de trabalhoLavação de veículos, oficina mecânica e ajudante de serviços gerais em situação irregular de trabalhoVendas ou atendimento em situação irregular de trabalhoAtividades de cozinhar em situação irregular de trabalhoMendicânciaTráfico de drogasPiores que a médiaClasse
Média do município8,9%maior é pior11,5%maior é pior2,2%maior é pior8,7%maior é pior2,6%maior é pior3,1%maior é pior1,4%maior é pior19,0%maior é pior0,5%maior é pior0,7%maior é pior
Região 4Roça Nova dos Bandeirantes, Zé Pinto7,0%2,3%2,3%, pior que a média9,3%, pior que a médianenhum registro2,3%2,3%, pior valor entre as regiões4,7%nenhum registronenhum registro3 de 10 (30,0%)Baixo
Região 3Itacolomi, Marinho2,0%12,2%, pior que a médianenhum registronenhum registronenhum registro2,0%2,0%, pior que a média22,4%, pior que a médianenhum registronenhum registro3 de 10 (30,0%)Baixo
Região 1Belo Vale Urbana7,3%15,1%, pior valor entre as regiões2,2%4,5%1,7%2,8%2,2%, pior que a média19,0%0,6%, pior que a média1,1%, pior que a média4 de 10 (40,0%)Médio
Região 2Boa Morte, Arrojado16,7%, pior valor entre as regiões6,2%4,2%, pior valor entre as regiões25,0%, pior valor entre as regiões6,2%, pior valor entre as regiões2,1%nenhum registro18,8%nenhum registro2,1%, pior valor entre as regiões5 de 10 (50,0%)Médio
Região 5São Sebastião das Lajes, Fazenda Paina12,4%, pior que a média11,3%2,1%12,4%, pior que a média5,2%, pior que a média5,2%, pior valor entre as regiõesnenhum registro23,7%, pior valor entre as regiões1,0%, pior valor entre as regiõesnenhum registro6 de 10 (60,0%)Alto

Fontes: Pesquisa com crianças e adolescentes, 2021.

Os resultados
por direito

Vida e saúde

Em 2019, Belo Vale registrou 57 nascidos vivos, uma taxa de natalidade de 7,6 por mil habitantes. 8,8% das mães tinham de 12 a 17 anos, 52,6% tinham menos de 8 anos de estudo e 12,3% dos nascidos vivos tiveram menos de 7 consultas de pré-natal. O SIM registrou dois óbitos de menores de 1 ano, 3,5 a cada 100 nascidos vivos.

nascidos vivos, 7,6 por mil habitantes
57
SINASC, 2019
das mães dos nascidos vivos tinham de 12 a 17 anos
8,8%
SINASC, 2019
dos nascidos vivos tiveram menos de 7 consultas de pré-natal
12,3%
SINASC, 2019
óbitos de menores de 1 ano a cada 100 nascidos vivos
3,5
SIM e SINASC, 2019

Educação

Em 2019, Belo Vale tinha 887 estudantes matriculados, 86,9% na rede municipal. Dos 840 de 0 a 17 anos, 57,3% usavam transporte escolar e 12,4% estudavam em escolas rurais. A reprovação nos anos finais do ensino fundamental (12,9%) ficou acima das taxas de Minas Gerais e do Brasil, e o abandono no ensino médio (9,8%), bem acima.

estudantes matriculados, 86,9% na rede municipal
887
INEP, Censo Escolar 2019
dos matriculados de 0 a 17 anos usam transporte escolar
57,3%
INEP, Censo Escolar 2019
de reprovação nos anos finais do ensino fundamental
12,9%
INEP, 2019
de abandono no ensino médio
9,8%
INEP, 2019

Liberdade, respeito e dignidade

O SINAN notificou 6 casos de violência contra crianças e adolescentes, todos de violência física e 2 deles lesões autoprovocadas; 5 das vítimas eram do sexo feminino. O município registrou 24 crimes violentos de 2018 a 2020, com o roubo consumado à frente nos três anos, e 2 estupros de vulnerável em 2018 e outros 2 em 2019.

casos de violência contra crianças e adolescentes notificados, todos físicos
6
SINAN, 2020
crimes violentos registrados no município: 6, 11 e 7 por ano
24
Armazém de Dados do Sistema Integrado de Defesa Social, 2018 a 2020
estupros de vulnerável consumados, 2 em cada ano
4
Armazém de Dados do Sistema Integrado de Defesa Social, 2018 e 2019

Convivência familiar e comunitária

Em 2021, 1.096 famílias e 2.718 pessoas estavam inscritas no CadÚnico, 838 delas crianças e adolescentes. 33,9% das famílias estavam em extrema pobreza e 44,2% recebiam o Programa Bolsa Família, mas 31 famílias em extrema pobreza não o recebiam. O PAIF acompanhou cerca de 447 famílias em 2019, e o SCFV atendeu 75 crianças e adolescentes, sem nenhum registro de trabalho infantil.

famílias inscritas no CadÚnico, com 2.718 pessoas
1.096
CadÚnico, 2021
dos inscritos no CadÚnico são crianças e adolescentes
30,8%
CadÚnico, 2021
das famílias inscritas estão em extrema pobreza
33,9%
CadÚnico, 2021
famílias em extrema pobreza inscritas que não recebem o Bolsa Família
31
CadÚnico, 2021

Profissionalização e proteção no trabalho

No Censo de 2010, 101 crianças e adolescentes de 10 a 17 anos estavam ocupados em Belo Vale, 24 deles de 10 a 13 anos, em situação de trabalho infantil pelo critério do IBGE; 45,5% trabalhavam sem carteira assinada e 21,8% sem remuneração. Em 2019, a RAIS registrou 5 adolescentes contratados formalmente, 1 como aprendiz e 4 no comércio varejista.

crianças e adolescentes de 10 a 17 anos ocupados, 24 de 10 a 13 anos
101
IBGE, Censo 2010 (microdados)
dos ocupados de 10 a 17 anos trabalhavam sem carteira assinada
45,5%
IBGE, Censo 2010 (microdados)
adolescentes contratados formalmente, 1 deles como aprendiz
5
RAIS, 2019

O que disseram
crianças e adolescentes

A pesquisa de percepção ouviu 416 crianças e adolescentes de 9 a 17 anos residentes em Belo Vale, de 24 de fevereiro a 2 de março de 2021. Onze pesquisadores aplicaram o questionário em tablets, de forma presencial e individual, em ruas, casas, praças e outros locais públicos, sem a presença de familiares, amigos ou conhecidos e sem identificar os participantes. A amostra, aleatória e estratificada por região e idade, tem confiança de 95% e erro amostral de 3,85%.

O questionário perguntou por atividades que podem caracterizar trabalho, dos afazeres domésticos e do cuidado de outras pessoas ao trabalho rural, à coleta de material reciclável e ao tráfico de drogas. Com critérios de idade, tempo, frequência e local definidos pela Comissão de Acompanhamento e pela equipe técnica, cada situação foi classificada como atividade de cunho socializador, trabalho regular ou trabalho irregular, e o trabalho irregular, como passível de regularização ou proibido pela legislação.

O que a pesquisa encontrou

  1. 87,0% dos entrevistados realizam alguma atividade: 46,6% (194) atividades de cunho socializador, como ajudar nas tarefas da casa, e 40,1% (167) estão em situação irregular de trabalho. Um único entrevistado trabalha de forma regular.

  2. Dos 167 em situação irregular, 117 (28,1% da amostra) estão em situações passíveis de regularização e 50 (12,0%) em atividades proibidas pela legislação, sobretudo trabalho rural, coleta de material reciclável e lavação de veículos ou serviços gerais.

  3. As atividades irregulares mais citadas são cozinhar (19,0% dos entrevistados), cuidar de crianças ou outras pessoas (11,5%), afazeres domésticos (8,9%) e trabalho rural (8,7%). Nos afazeres domésticos, 83,8% são meninas; no trabalho rural, 77,8% são meninos.

  4. Na Região 5, 50,5% dos entrevistados estão em situação irregular de trabalho; na Região 2, 25,0% realizam atividades proibidas, mais que o dobro da média do município (12,0%).

  5. 32,9% procuram emprego, 65,3% entre os de 16 e 17 anos, sobretudo para ter o próprio dinheiro (75,9%) e ajudar a família (52,5%). Entre os de 14 anos ou mais, 6,4% são ou já foram jovens aprendizes, e 49,7% dos demais nunca ouviram falar do programa.

  6. Só 12,0% fazem alguma atividade no contraturno escolar, e 74,5% passam esse tempo em casa. 80,8% gostariam de fazer outra atividade, e entre eles 45,2% citam esportes e 34,2%, cursos profissionalizantes.

Fonte: Volume único, pesquisa de percepção de fevereiro e março de 2021.

Considerações
e recomendações

A pesquisa de percepção encontra 40,1% dos entrevistados em situação irregular de trabalho, 38,3% deles de 9 a 13 anos, idade em que todo trabalho é irregular. Em 12,0% da amostra há indícios de trabalho infantil, em atividades proibidas e sem meios de regularização. Pelo método dos tercis, a Região 5, de classe alta, e as Regiões 1 e 2, de classe média, são as prioritárias no enfrentamento do trabalho infantil.

O panorama das demandas sociais aponta para a rede de atendimento a necessidade de melhorar as notificações, os registros e a coerência entre os dados das instituições, e chama a atenção para a ausência de registros de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil.

O que o diagnóstico recomenda

Fonte: Volume único, Considerações finais e Recomendações.

Perguntas
frequentes

Quem fez o diagnóstico do trabalho infantil de Belo Vale?

A Painel Pesquisas e Consultoria, seguindo o Edital Pregão Presencial nº 072/2018. O diagnóstico foi idealizado pela Prefeitura Municipal de Belo Vale, com apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social e do CRAS, e acompanhado por uma comissão com representantes do CMDCA, do Conselho Tutelar e das Secretarias de Assistência Social, Educação e Saúde. O volume único foi publicado em maio de 2021.

Quantas crianças e adolescentes de Belo Vale estão em situação irregular de trabalho?

Na pesquisa de 2021, 167 dos 416 entrevistados de 9 a 17 anos, ou 40,1%, estavam em situação irregular de trabalho em Belo Vale. Para 117 deles (28,1% da amostra), a situação é passível de regularização; 50 (12,0%) realizavam atividades proibidas pela legislação. As atividades irregulares mais citadas são cozinhar, cuidar de crianças ou outras pessoas, afazeres domésticos e trabalho rural.

Quais regiões de Belo Vale são prioritárias no enfrentamento do trabalho infantil?

No mapa social das situações de trabalho irregular de Belo Vale, a Região 5, rural, fica acima da média em 6 dos 10 indicadores e é a única de classe alta; 50,5% dos seus entrevistados estão em situação irregular. Seguem as Regiões 1, a área urbana, e 2, de classe média. Na Região 2, 25,0% realizam atividades proibidas. No perfil socioeconômico, as Regiões 2 e 3 ficam piores que a média em 11 de 14 indicadores.

Como foi feita a pesquisa com crianças e adolescentes de Belo Vale?

Onze pesquisadores entrevistaram 416 crianças e adolescentes de 9 a 17 anos de Belo Vale entre 24 de fevereiro e 2 de março de 2021, de forma presencial e individual, com tablets, em ruas, casas e praças, sem a presença de familiares. A amostra é aleatória, estratificada pelas cinco regiões e por idade, com confiança de 95% e erro amostral de 3,85%, e os entrevistados não foram identificados.

O que o diagnóstico recomenda a Belo Vale?

O diagnóstico de Belo Vale recomenda criar um grupo intersetorial com o CMDCA para levar crianças e adolescentes expostos ao trabalho infantil a atividades culturais, esportivas e profissionalizantes, fortalecer o Fundo da Infância e Adolescência, capacitar a rede de atendimento, ampliar as vagas e a fiscalização da aprendizagem, implantar as ações estratégicas do PETI e centralizar as notificações da rede para acompanhar cada caso.

Idealização

Prefeitura de Belo Vale

Realização

Painel Pesquisas e Consultoria

Apoio

Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Belo ValeSecretaria Municipal de Assistência Social de Belo Vale

Um diagnóstico assim
para o seu município

Conte qual público e quais territórios a sua gestão precisa conhecer. Definimos juntos a divisão territorial, as pesquisas e os relatórios da entrega.

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